sábado, 20 de junho de 2015

O maior radioescuta da crônica esportiva brasileira


Por Marcos Niemeyer


>> Recomendamos aos amigos deste espaço virtual o livro "Gabriel Saraiva" — Coleção Gente da Bahia, escrito pelo jornalista Elieser Cesar e nos enviado gentilmente pelo também jornalista Paulo César Gomes.

Com quase noventa anos de idade, o professor Gabriel Saraiva é uma figura das mais folclóricas da crônica esportiva de Salvador e, porque não dizer, do Brasil. 

Na época em que computador ainda era coisa de ficção científica, ele ouvia as mais diferentes emissoras radiofônicas do Brasil e de várias partes do mundo para pegar os resultados dos jogos em "primeira mão" e repassar ao locutor plantonista que, por sua vez, fazia o anúncio ao microfone da rádio em que Gabriel estivesse atuando.

Tive a honra de trabalhar ao lado deste impagável personagem nos bons tempos da "finada" Rádio Sociedade da Bahia. Até hoje, os bolsos dele vivem cheios de anotações sobre futebol. Qualquer fiapo de papel serve para o ilustre fazer suas escrevinhanças. 

Já vi o professor tirar até pedaço de papel higiênico das algibeiras com rabiscos que só ele consegue entender. Nem letra de médico é tão indecifrável. O livro "Gabriel Saraiva" é uma biografia do nosso estimado amigo, cuja semelhança estética com o escritor Jorge Amado impressiona até aos mais atentos.

Com seu indefectível paletó e penduradas na gravata as imagens do Bahia, Botafogo e São Paulo (seus times do coração) e mais recentemente uma foto da esposa, já falecida, ele sabe tudo de futebol e tem gravados na memória fatos esportivos que poucos são capazes de lembrar.  Segundo Gabriel Saraiva, Pelé foi o jogador mais violento de todos os tempos.

"Ele quebrou a perna do zagueiro Procópio Cardoso, fraturou a perna do alemão Krisma, fraturou o nariz de Ratin, da Seleção Argentina, quebrou dois dentes do quarto-zagueiro Roberto rebouças, do Bahia. Numa partida entre Santos e Botafogo de Ribeirão Preto, na década de 60, fraturou a perna do ex- quarto- zagueiro do Bahia, Amorim, quando ele atuava no interior de São Paulo e deu uma baita cotovelada a "La Leornardo", em Matôzas, da Seleção Uruguaia na Copa de 70, no México", revela numa das páginas da obra em sua homenagem.

Portanto, a "ficha corrida" de Pelé não esconde que o jogador é de um passado "violento e truculento" — como diria o lendário redator e noticiarista Wailson Marcílio, da "falecida" Rádio Sociedade da Bahia.
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