terça-feira, 21 de julho de 2015

Trens assassinos da MRS Logística assombram Juiz de Fora


Por Marcos Niemeyer


>> Enquanto na Europa e no Japão os moderníssimos trens-bala chegam a alcançar surpreendentes 600 quilômetros por hora sem atingir sequer uma galinha no trajeto ou causar qualquer espécie de acidente, na invernosa Juiz de Fora as composições cargueiras da MRS Logística matam, atropelam e aleijam dezenas de pessoas.

Os acidentes são praticamente diários. Uma das mais importantes cidades do país, JF ainda não conseguiu escorraçar de sua área urbana os trilhos antes pertencentes à extinta Rede Ferroviária Federal (RFFSA).

São incontáveis travessias sobre a linha férrea de uma ponta a outra da cidade, a maioria não dispõe de passarelas ou viadutos. A cada passagem de uma composição é um Deus nos acuda. Formam-se gigantescos engarrafamentos e filas quilométricas de pedestres.

Não se sabe até quando tamanho abuso e falta de respeito com a população vão durar. Os políticos fazem vistas grossas diante da gravidade do problema.

Só na época das eleições é que esses porras-loucas apresentam "soluções" para a situação. Depois, no entanto, somem como que num passe de mágica e só reaparecem quatro anos depois.

Cancelas acionadas, velocidade de 29 quilômetros na área urbana, luzes de sinalização, acionamento de infernal buzina e sino nos trens não são suficientes para evitar as constantes tragédias numa cidade habitada por mais de 600 mil moradores.

Um dos casos mais trágicos envolvendo os trens assassinos da MRS Logística ocorreu em março deste ano e teve como vítima uma professora da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).

Elisabeth Cristina de Almeida Bessa, 52 anos, era formada em ciências biológicas pela instituição e doutora em medicina veterinária pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).

Ela tentava atravessar a linha em um trecho no centro da cidade. Se atrapalhou diante da proximidade do monstro de ferro e teve o corpo completamente dilacerado, gerando pânico e horror em plena luz do dia.

Veja o perigo que representa a proximidade de um trem da MRS Logística com dezenas de pedestres correndo feito cabrito assustado. Por conta da confusão estabelecida, uma mulher acaba perdendo a sandália e um morador de rua com dificuldade de andar é retirado a tempo pelo guarda da cancela. Por pouco ele não é esmagado pela locomotiva.

Um cenário chocante, tem-se a impressão de que estamos nas regiões mais atrasadas e miseráveis da África. O vídeo foi feito pelo estudante Alexson Mury na passagem de nível na parte baixa da Rua Halfeld, ao lado da Praça da Estação, no centro da cidade.

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