segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Amores inconsistentes


Por Marcos Niemeyer


>> O livro Para onde vai o amor? (Crônicas, Bertrand Brasil, 176 páginas) — do poeta, cronista e jornalista gaúcho Fabrício Carpinejar é o tipo de leitura instigante sobre relacionamentos amorosos que o autor compara a temas cotidianos, a exemplo de uma fila do Sistema Único de Saúde (SUS) ou uma entrevista de emprego. 

A ideia dele é questionar ou derrubar idealizações. Num trecho da publicação, Carpinejar enfatiza categórico: “Cada vez mais reconheço que no amor não existe o melhor, mas o menos pior.” E, sem mais delongas, arrisca palpitar que nada disso seja idealizado: "Dizer eu te amo já não é mais suficiente para segurar os relacionamentos. É preciso ter lealdade, que é mais importante até mesmo do que a fidelidade." 

Após a leitura de Para onde vai o amor?, é possível refletir que relacionamentos entre casais andam mesmo cada vez mais difíceis. Se perto um do outro já não é fácil, imagina quando ambos moram em cidades separadas por centenas de quilometragem em que não se pode imaginar o que andam a fazer na calada da noite ou em plena luz do dia. 

Ainda mais nesses tempos de celulares avançados e mensagens instantâneas pela internet, o que pode facilitar tanto a proximidade quanto a traição. Confiar, portanto,é como atirar no escuro para ver se acerta o alvo. 

Mas será que é possível resistir ao desejo de trair? Sim, é possível, mas existe outro aspecto não menos destrutivo para os relacionamentos: trata-se do maldito ciúme — o "monstro de olhos verdes" — conforme disse Shakespeare. 

Aliás, quem diria que o ciúme surgiu com o objetivo de preservar a relação monogâmica? Diante do primeiro sinal de infidelidade, o alarme dispara e o candidato a chifrudo fica mais atento do que cão de guarda. 

O fato é que com ou sem ciúme a maioria dos relacionamentos periga fracassar nesses tempos modernosos. Se não bastassem tais ameaças, ainda tem a chamada "crise dos 7 anos", quando os relacionamentos já efetivados começam a declinar feito estrela cadente. 

Daí para a separação do casal, é um pulinho só. Há gente que mata e se mata por amor. Superar as dores emocionais de uma separação não é fácil, porém não impossível. E o melhor remédio para curar um coração aos pedaços é começar outro relacionamento. E assim vamos levando a vida.
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