quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Beco das Garrafas ressurge em grande estilo


Por Marcos Niemeyer
mniemeyer50@hotmail.com
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>> Depois de quarenta anos fechado, o lendário Beco das Garrafas, na Rua Duvivier, em Copacabana, na Zona Sul do Rio, onde surgiu a Bossa Nova no final da década de cinquenta, renasce como que das cinzas e deve virar filme, criar selo e exibir shows via streaming graças ao incansável empenho de importantes produtores culturais cariocas.

O projeto de revitalização do local foi assumido por Amanda Bravo, 37 anos, filha do instrumentista Durval Ferreira, falecido há oito anos. A moça convenceu o empresário Sérgio Martino, dono do imóvel onde ficava os bares Bacará e o Botlle’s a participar da tarefa.

Impossível mesmo é transitar por lá e não conhecer o Little Club, Ma Griffe, Bottle’s e o Bacará — esses dois últimos foram anexados transformando-se numa só casa — ponto de encontro de cantores e compositores famosos numa época já distante em que a música tinha qualidade.

Foi no Bottle’s Bar, por exemplo, que a cantora Elis Regina fez seu primeiro show. Já o Little Club teve como alguns de seus frequentadores os cantores Wilson Simonal, Sérgio Mendes e o poeta Vinicius de Moraes.

O nome "Beco das Garrafas" é de autoria do escritor Sérgio Porto, em função da algazarra que os frequentadores faziam antes, durante e depois das apresentações artísticas. Sem conseguir pegar no sono, moradores dos edifícios ao lado atiravam garrafas na tentativa de intimidar e afugentar os notívagos e boêmios.

Mesmo assim, eles só batiam em retirada com o dia já claro. Dessa vez, porém, quase um ano após a reabertura do local, sabendo de sua importância artística e pela urgente necessidade de revitalização das boas sonoridades, nenhuma garrafa foi jogada pela vizinhança.

Aliás, essa história das garrafas carece de real consistência. O escritor Ruy Castro, autor do livro Chega de Saudade, importante obra de reconstituição da vida boêmia e cultural dos memoráveis tempos da Bossa Nova, não acredita que algo dessa natureza tenha ocorrido.

"É possível que um ou outro morador tenha jogado, mesmo. Mas não creio que isso fosse uma prática porque, um dia, acabaria acertando alguém. E quem fosse atingido por uma garrafa jogada do décimo andar fatalmente morreria, mesmo que fosse uma garrafa de Crush ou de Guaraná Caçula. E, que eu saiba, ninguém nunca morreu disso no Beco", disse ao jornal O Globo.

Nomes importantes da música brasileira tem se apresentado por lá ultimamente: Roberto Menescal, Leny Andrade, Marcos Valle, Alice Caymmi e João Donato — entre outros de grande relevância ou mesmo novos talentos da MPB — como é caso de Chico Faria, filho da cantora Cynara (Quarteto em Cy) e de Ruy Faria, da formação original do MPB4.

Como se observa, nem tudo está perdido na música brasileira. Que o Beco das Garrafas, cantado em versos e prosas, transforme-se novamente num espaço de vanguarda e revele cada vez mais nomes de qualidade no cenário artístico. A música popular brasileira agradece.

Clique no play para ouvir a bela melodia "Beco das Garrafas", de autoria dos genais compositores Paulinho Tapajós e Alberto Rosenblit em homenagem a este importante local onde nasceu a Bossa Nova. A impagável interpretação é da cantora Zélia Duncan.
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