domingo, 9 de agosto de 2015

João-de-barro não admite chifrada


Por Marcos Niemeyer


>> Flagrantes captados pelo jornalista Ricardo Medeiros numa rua tranquila de Bento Ferreira, bairro de classe média de Vitória, a ensolarada e abafada capital capixaba, mostram um casal de joão-de barro proporcionando belo espetáculo  desses que somente os caprichos da natureza conseguem revelar.

No passo a passo da construção do ninho, o pássaro macho demonstra paciência e dedicação. Primeiro, utiliza apenas o barro retirado do solo, debaixo das britas para a edificação da parte interior da casa. Em seguida, é a vez da parte externa para, enfim, receber a sua amada com uma espécie de canto de louvor aos céus. O pássaro arquiteto, porém, diferentemente de alguns maridões apaixonados, não admite traição.

Diz a lenda, que caso sua fêmea se assanhe diante da "concorrência", ele fecha imediata e hermeticamente o ninho com ela lá dentro utilizando uma porção reforçada de barro para botar um triste ponto final na história de amor. Imaginemos se joão-de-barro pudesse dar uma lição nas fêmeas humanas modernosas. Pouquíssimas restariam para relatar os fatos. Ainda mais nesses tempos de Facebook, WhatsApp, sites que estimulam a traição de ambas as partes e o carayo a quatro.

É o caso, por exemplo, da polêmica rede social holandesa Second Love que se alastra pelo mundo feito rastro de pólvora. Destinada a machos e fêmeas casados em busca de novas emoções para romper com a rotina da vida sob o mesmo teto e que fez sua estreia na versão brasileira há cerca de cinco anos, já possui milhares de usuários no torrão tropical (meu saudoso vovozinho cairia de costas).

Os responsáveis pela poderosa armadilha das saliências jamais admitem que estão contribuindo para o aumento do número de chifradas ao redor do planeta. "Não incentivamos a traição, apenas flertes online", dizem. De acordo com especialistas no assunto, um em cada três adultos trepa com outro alguém pelo menos uma vez na vida.

Situação preocupante para quem já anda com dúvidas em relação à sua cara metade. Como não existem mais "Amélias", namorados e maridões zelosos devem redobrar a cautela diante da eventualidade de receberem um "galho" na parte mais elevada da carcaça. Todo cuidado é pouco, pois. 

Afinal, andam dizendo por aí que mulher de um homem só é sofrida, a que tem dois cabras é evoluída, aquela que deita com três machos é atrevida e a que somente contenta-se com quatro garanhões sob os lençóis fazendo barba, cabelo e bigode não tem dó da perseguida. Já ouvi dizer que chifre foi feito pra boi, homem usa de teimoso. Portanto, o distinto que tentar dar uma de joão-de-barro, o pássaro "arquiteto", pode ser surpreendido com a concorrência fazendo "escala técnica" na folhagem que cerca o ninho.
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