segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Encontro memorável em nome da MPB


Por Marcos Niemeyer


>> Os músicos Nelson Faria  e Roberto Menescalo "guru" da Bossa Nova, encantaram o público presente na noite da última terça-feira (11) no Midrash Centro Cultural, no Leblon, na Zona Sul do Rio, durante a gravação especial de Um café lá em casa comemorando as cem mil visualizações do programa no YouTube em pouco mais de quatro meses.

Entre um papo e outro dos dois artistas que interagiam o tempo todo com o público, não faltaram grandes clássicos da Bossa Nova a exemplo de "O barquinho", "Bye bye Brasil", "Você" e "Rio", todos de autoria de Menescal, um exímio contador de fatos e "causos".

"É necessário, porém, investir no novo. Os estilos musicais passam, precisamos dar espaço para as novas gerações" — sugeriu Nelson logo de início recebendo aplausos do público e bençãos de Menescal que aproveitou para relembrar sua amizade e parceria musical com Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Chico Buarque, Marcos Valle, Elis Regina, Ronaldo Bôscoli e Miele, entre outros relevantes nomes da música brasileira.

Roberto Menescal também fez sutil desabafo que, exagero à parte, tem lá sua veracidade: "Engraçado: a Bossa Nova nasceu no Rio, mas é o lugar que tem menos público para ela.”

Disse que passou 22 anos brigado com Elis Regina. "Ela brigou comigo. Um dia, me ligou chorando, arrependida, chamando para assistir ao show dela, ‘Saudades do Brasil’, no Canecão. Eu tinha uma música e decidi dar para ela. Chamei o Paulo Coelho e ele escreveu de um dia para o outro a letra de Me deixas louca. A Elis cantou logo em seguida, no show Trem azul. Quinze dias depois ela morreu.”

Em um dos momentos que mais arrancou risos da plateia — integrada por artistas, jornalistas, produtores culturais, profissionais liberais e o público em geral — foi ao lembrar que o lendário apresentador de TV, Flávio Cavalcanti, o convidou para participar de seu programa na TV Tupi, lá pela distante década de sessenta.

Menescal aceitou a proposta, mas ao tentar cantar Rio, composição feita em parceria com Ronaldo Bôscoli, Cavalcanti — que gostava de quebrar o disco diante das câmeras quando a música não lhe agradava — não deixou por menos.

— Escuta aqui, meu rapaz; que coisa esquisita é essa, onde já se viu rio que mora no mar? Rio é rio e mar é mar. Nada tem a ver uma coisa com a outra. E além do mais, não existe pelo que sei, serra de veludo. Vou quebrar esse disco! isso não é música que se preze, esbravejou.

O artista teve que explicar ao tempestuoso apresentador a letra da música: — O Rio do qual falo na canção é a Cidade Maravilhosa banhada pelo mar. E olhando de longe, as serras e montanhas que emolduram a cidade parecem mesmo que são de veludo.

— Nesse caso, vou lhe dar mais uma colher de chá. Pode cantar a música novamente, respostou Flávio.

Desconfiados, os dois compositores combinaram de imediato uma estratégia: — Vai que homem resolve estranhar a melodia novamente. Nesse caso,  não vamos cantá-la e sim apenas tocá-la. Ele não vai entender nada e aí fica mais fácil.

A gravação do programa com Roberto Menescal deve ir ao ar na primeira quinzena de setembro. Exibido quinzenalmente no canal do YouTube Um café lá em casa é o registro de um bate-papo feito de forma descontraída, onde os músicos tocam, cantam e compartilham histórias. Já participaram do programa Fátima Guedes, Baby do Brasil, Zélia Duncan, Leila Pinheiro, Cris Delanno, Mauro Senise e Danilo Caymmi, entre outros.

Comparecemos ao evento no Midrash Leblon a convite da produção de  'Um Café lá em casa'. As imagens que ilustram este artigo foram feitas por Juliana Faria, produtora do programa. 
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