sábado, 12 de setembro de 2015

Antigos botecos eram redutos de bons cantores e compositores


Por Marcos Niemeyer
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>> Além do exímio compositor Geraldo Pereira, Juiz de Fora viu nascer em suas terras Ulisses de Oliveira — notável nome artístico de uma época em que a música tinha qualidade. Notívago inveterado, era figura das mais assíduas com seu indefectível violão nas noites do Café Tropical, boteco que marcou época no centro da invernosa cidade e que teria servido de inspiração para o artista compor o nostálgico e inapagável samba-canção Baralho da Vida — imortalizado nas vozes de Dolores Duran, Ângela Maria e Cauby Peixoto (clique no play para ouvir) e de outros importantes personagens da música brasileira.



Os antigos botequins de Juiz de Fora (seguindo uma tendência da época) serviam também como autênticos redutos do samba e da boêmia na cidade. Munidos de violões, cavaquinhos, saxofones, pandeiros, flautas e de outros instrumentos musicais os bambas se juntavam noite a dentro nesses espaços para criarem batucadas e melodias românticas que faziam sucesso nas rádios locais e até mesmo nas principais emissoras do Rio de Janeiro.

O lendário Café Tropical, que ficava na rua São João, ao lado do Cine Theatro Central, agrupava os principais compositores e músicos juiz-foranos e os grandes comunicadores da era de ouro do rádio, cujos programas de auditório reuniam centenas de pessoas em cada apresentação.

Além dos tradicionais frequentadores, inclusive, o próprio Ulisses de Oliveira, o Café Tropical recebia frequentemente visitantes ilustres a exemplo de Ataulpho Alves, Jamelão, Blecaute, Noite Ilustrada, Dora Lopes, diretores das gravadoras cariocas, entre outros. Até o mestre Tom Jobim chegou a dar uma canja por lá.

O sucesso do importante espaço, porém, sucumbiu com a chegada da TV, das lanchonetes, do então crescimento da indústria fonográfica ou mesmo por conta da decadência imposta pela implacabilidade do tempo nessas últimas décadas. Atualmente encontrar um boteco em sua mais pura originalidade, onde quer que seja, tornou-se uma missão quase impossível. As verdadeiras rodas de samba, os tangos, boleros e outras belas canções como é o caso de Baralho da Vida , hoje em dia são um quadro pendurado na parede.

Foram escorraçados pelo mau gosto sonoro imposto por figuras medíocres que se acham de "qualidade" e contam com o apoio do podre sistema midiático. Estão a prestar um desserviço sem precedentes à verdadeira cultura musical do país.

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