terça-feira, 22 de setembro de 2015

Dia do Radialista


Por Marcos Niemeyer


>> O Dia do Radialista, cuja data é 21 de setembro, nos faz lembrar que essa categoria já foi mais respeitada, inclusive, no aspecto financeiro. No Rio, vira e mexe empresas de rádio e TV vivem a dar rasteira nesses profissionais.

Na atualmente não muito invernosa Juiz de Fora tem radialista vendendo bala na rua pra sair do sufoco. De qualquer forma, fica o nosso abraço aos amigos do rádio. Também somos parte integrante da sofrida categoria.

Aliás, o Dia do Radialista é comemorado em duas datas. Com a mudança imposta por uma lei federal em 2006, os profissionais do setor passaram a ter duas datas para "comemorar", além do tradicional "Dia do Rádio" (25 de setembro). O dia 21 de setembro virou uma data simbólica e 7 de novembro, a oficial.

A mudança ocorreu em em função de uma homenagem ao lendário cantor, compositor e radialista Ary Barroso, nascido nesse data. Mesmo assim, como nos anos anteriores, muitos radialistas" comemoram" o dia da sua profissão no dia 21 de setembro — que ficou conhecido no meio radiofônico como "Dia do Radialista".

E vai aqui uma notícia das mais desagradáveis para os veteranos colegas: locutor estilo "mil novecentos e Aracy de Almeida" é uma espécie cada vez mais em extinção. Aquele cabra de voz trovejante está ficando mais ultrapassado no pedaço do que cabrocha virgem nos dias atuais.

Se em épocas passadas uma das principais exigências para atuar diante dos microfones era ter um "vozeirão", atualmente as velas sacolejam em outros ares. O "speaker" ia ao banco e a moça do caixa perguntava impressionada: "Por acaso você é locutor de rádio?".

Fingindo desinteresse, o colega dava um sorrisinho descarado e com ar "elegante" questionava: "Como percebeu, querida?" — concluindo com um "Vou lhe mandar um beijo pelo meu programa na rádio."

A distinta derretia-se feito manteiga usada por Marlon Brando na tal da "Maria Xinaida", no filme "Último Tango em Paris". E assim os "vozeirões" iam "papando" uma aqui, outra ali e mais outra acolá.

Sem contar, entre outros "deméritos", que as ouvintes não mandam mais cartinhas salpicadas de marcas de batom e cheirando a jasmim para os locutores. Agora trocam mensagens via Facebook, Whatsapp e o carayo a quatro. Mas sem o carinho, o romantismo e a sinceridade de outrora.
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