quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Quem é meu filho?



>> Muitos homens e mulheres fazem filhos todos os dias, e sequer, refletem seriamente sobre a dimensão e consequências desses atos. Não se preparam para assumirem a responsabilidade de pais, e, de certa forma parece até que desconhecem o que isso significa.

Não é aceitável que duas pessoas lúcidas, menor, ou maior de idade, ainda façam filhos sem acautelarem-se sobre o que lhes pesará num futuro próximo. E mais, não pensam que a omissão de cuidados para com eles pode futuramente gerar, considerando que serão seres sociais. Não é novidade, que houve e ainda haja muitas mulheres, por todos os cantos parindo, como se liberassem excremento.

São filhos gerados de pais e mães irresponsáveis, que, após o nascimento, os entregam para a tutela e cuidados de outrem. São: empregados, parentes, avós e quem mais lhes puderem servir. Eximem-se de culpa ou responsabilidade sobre o papel que é obrigatoriamente de genitores. Maternidade e paternidade, quando muito, estão no registro de nascimento de suas proles. Uma realidade de chocar a quem pode refletir e se preocupar com as drásticas consequências disso.

Os ditos ‘pais’ e ‘mães’, desabilitados a conceberem seres humanos, sequer, conhecem os hábitos de seus filhos, pois, não convivem com eles, não lhes acrescentam, nem acompanham seu desenvolvimento. Então, passam a conviver como seres desconhecidos. Não se comunicam, não se respeitam, não criam vínculos afetivos entre si, não se entendem, e, por isso, não há reciprocidade em suas relações. Vivem constantemente em conflitos, o que acaba por resvalar no convívio em sociedade.

Estes pais e mães enfrentam seríssimas dificuldades para lidarem com tais filhos, e, lhes resta, apenas lamentarem o fracasso e a omissão de suas atitudes. Em vista disso, transferem novamente a responsabilidade para a escola, o que configura como mais uma forma de estupidez. Eles, os ‘pais’, têm a ilusão de que os professores (as), farão milagres. Não farão, enganam-se! 

Para que haja êxito no que se faz, excepcionalmente, na criação e educação dos filhos, é necessário e indispensável investir na base, estrutura-la bem para evitar consequências indesejáveis. Se houver um ‘fio solto’ na condução desse processo educativo e sua conexão com o futuro, principalmente em sociedade, a tendência de tal construção é desabar.

Portanto, pode atingir os transeuntes que não são culpados pelo que foi projetado e executado pelos responsáveis. Com filhos, não é diferente. Se alguém não consegue entender isso, não ouse. É preciso saber que eles são o maior ‘empreendimento’ que uma pessoa pode ousar gerir.

“São o futuro de uma nação” e darão continuidade ao que restar de nós. Não delegue, ou imponha à sociedade a reparação dos danos que a sua omissão como pai e mãe causou. Não culpe o mundo! Filho é coisa séria. Um mundo melhor tem a ver com a responsabilidade de cada pessoa que resolve fazê-lo, amá-lo, assumir incondicionalmente, enquanto pai e mãe o seu papel.

Por isso, enfatizo: um mundo melhor depende muito mais de como concebemos, cuidamos e educamos nossos filhos, do que da ação da polícia, do psiquiatra, de forças ocultas, da sorte, do professor ou da escola. Só após agir com a responsabilidade devida, solicite, se for o caso, ajuda, para tentar responder à velha (questão clichê): “onde foi que EU errei”? O que fiz mal feito, ou deixei de fazer? Reflitamos!
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*Cantora e compositora. Estuda Letras na Universidade Estadual de Santa Cruz  Ilhéus/ Itabuna (BA).
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