segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Consagrada maravilha artística


Por Marcos Niemeyer
mniemeyer50@hotmail.com
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>> O Cine-Theatro Central de Juiz de Fora recebeu neste sábado (3) dois dos mais importantes conjuntos vocais da história da música Brasileira: Quarteto em Cy e MPB4 — formados pelos cantores Cynara, Cyva, Sônia, Keyla, Aquiles, Miltinho, Dalmo e Paulo, respectivamente.

Os artistas celebram cem anos de carreira, cinquenta de cada um, em turnê por várias cidades brasileiras não apenas lembrando o passado, mas um presente que se firma na manutenção de um perfil que valoriza a palavra.

"Hoje é muito mais difícil achar músicos e compositores como os que tivemos nos anos 1960 e 1970. Não existem gravadoras mais, e o mecenato está encolhido. Ninguém quer investir em nada, muito menos em arte”, disse Cynara ao jornal Tribuna de Minas.

Mudou-se, segundo Aquiles, o fazer e o discurso. “Na época em que a ditadura estava muito feroz, o MPB4 se pautava por participar da vida cultural do país dentro de um engajamento diante do que acreditávamos não poder acontecer. Em alguns momentos, nosso repertório se voltou para um tipo de música que fazia denúncias, sejam diretas ou indiretas. Éramos e continuamos a ser políticos. Hoje, o que a gente faz é, simplesmente, seguir nosso gosto. Se a música é bonita e a letra interessante, vamos cantar. Lá atrás, tínhamos uma visão de transformar nosso palco em palanque, agora isso mudou, e nos pautamos na disposição em ter um repertório de qualidade, só isso.”

Para os cantores, os dois quartetos preservam o que a história musical brasileira construiu. “Nas mentes e corações do Quarteto em Cy, ficou a semente”, afirma Cynara, destacando a importância de Vinicius de Moraes no início, no meio e no impensável fim. “Não começamos pensando em carreira. Quem empurrou a gente foi o Vinicius. Ele foi a base da nossa carreira artística."

Emocionada, Cynara Faria também lembrou sua participação no Cine-Theatro Central em 1968 do Primeiro Festival de Música Brasileira de Juiz de Fora classificando em primeiro lugar a canção “Casaco marrom”, de Danilo Caymmi, Guarabyra e Renato Correa.

Já em 1969, Cynara e Cybele participaram do mesmo evento em Juiz de Fora alcançando o primeiro lugar com a canção "Sem assunto", de Sidney Miller.

JOIA RARA

O show do último sábado, iniciado pouco depois das nove da noite, durou cerca de duas horas. Sob aplausos da imensa plateia, formada basicamente pelo público acima dos trinta/quarenta anos, os artistas lembraram com suas vozes maravilhosas grandes clássicos da Bossa Nova e da MPB a exemplo de "Canto de Ossanha", de Toquinho e Vinicius; "Samba do Avião", de Tom Jobim; "Noite dos mascarados"; "Pedro pedreiro"; "Carolina"; "Anos dourados"; "Imagina"; "Cálice" e "Quem te viu, quem te vê", de Chico Buarque"; "Novo tempo", de Ivan Lins; "Cio da Terra, de Milton Nascimento e Chico Buarque, "Querelas do Brasil", de Maurício Tapajós e Aldir Blanc, entre outras canções de igual importância.

O Quarteto em Cy também cantou a melodia "Escurinho", de Geraldo Pereira, natural de Juiz de Fora e compositor de belos versos gravados pelos mais brilhantes intérpretes nacionais. Descontraidamente, entre uma canção e outra, o cantor Miltinho fez questão de destacar que o Tupi, o "Galo Carijó", acabara de vencer o ASA de Arapiraca (AL) em Juiz de Fora, e estava a um passo da Série B, do Campeonato Brasileiro, no próximo ano. Foi ovacionado pela plateia.

Ao final da apresentação, os cantores receberam amigos e fãs para sessão de autógrafos, fotos e bate-papo descontraído na entrada principal do Cine-Theatro. Mostraram mais uma vez que a boa  música não tem prazo de validade. Não é sem motivo que o Quarteto em Cy e o MPB4 são aplaudidos  e merecidamente considerados como dois dos mais relevantes grupos vocais da história da música brasileira.

FORMAÇÃO ORIGINAL

Vale lembrar que o Quarteto em Cy teve sua origem em meados da década de 1950 no Rio de Janeiro com as irmãs Cybele, Cylene (que afastada espontaneamente do grupo formou-se em pedagogia e hoje mora em Araraquara, no interior paulista) Cynara e Cyva Ribeiro de Sá Leite.

Após uma temporada sem gravar, volta às atividades, em 1972 com as cantoras Cyva, Cynara, Dorinha Tapajós e Sonia. Em 1980 Dorinha se afasta por motivos de saúde, morrendo pouco tempo depois, tendo seu lugar no grupo ocupado por Cybele que morreria há dois anos, no Rio. Ela tinha 74 anos e se recuperava de uma pneumonia. Coube à excelente cantora Keyla Fogaça a difícil missão em substituí-la, o que a artista tem conseguido com os todos os méritos.

O MPB4, por sua vez, foi formado em 1965 na cidade de Niterói por Miltinho, Magro, Aquiles e Ruy Faria. Em 2004, Ruy deixou o quarteto sendo substituído por Dalmo Medeiros. Há três anos, o grupo perdeu Magro Waghabi, vítima de um câncer, aos 68 anos. O cantor, compositor e arranjador Paulo Malaguti, ex-integrante do grupo Céu da Boca, foi convidado para substituí-lo.

IMPERDOÁVEL

Como acontece nos mais diversos tipos de eventos artísticos, toca-se música mecânica nas caixas de som antecedendo a chegada dos protagonistas do espetáculo. No caso do Cine-Theatro Central, em Juiz de Fora, o som apresentado antes de MPB4 e Quarteto em Cy subirem ao palco na noite deste sábado foi uma acelerada e desagradável sequência de música estrangeira.

Os autores da ideia faltaram com respeito não só em relação ao público, mas sobretudo com os renomados artistas. Como é do conhecimento de todos, os dois grupos possuem uma das obras mais completas da história da MPB. Não merecem, portanto, algo dessa natureza.

Por que os organizadores do evento não colocaram em som ambiente uma seleção das melodias cantadas pelos dois grupos ao longo dos seus cinquenta anos de irretocável vida artística? Isso só pode ser coisa de gente que não sabe o que é música de verdade e tenta misturar alhos com bugalhos.
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