quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Morte de Miele deixa irreparável perda no meio artístico


Por Marcos Niemeyer


>> A rica, porém, sofrida cultura brasileira nesses tempos modernosos enfrenta outro duro golpe com a morte de Luiz Carlos Miele, 77 anos, nesta quarta-feira (14). Conforme vem sendo divulgado pelos meios de comunicação, o artista foi vítima de infarto fulminante em seu apartamento, na Gávea, na Zona Sul carioca.

Uma das últimas vezes em que encontramos pessoalmente o versátil produtor, ator e diretor de shows foi em janeiro deste ano, no Teatro Rival no Rio, durante apresentação que reuniu no mesmo palco grandes nomes da música brasileira, a exemplo de Roberto Menescal, Marcos Valle, Cris Delanno, Carlos Colla, o grupo Bossa Cuca Nova, e Luiz Pié (notável revelação da MPB), além do próprio Miele.

Os artistas tinham uma missão muito especial: o show era beneficente e a renda totalmente destinada para a família do menino Ruan Viktor de Souza Brites, portador de microcefalia, epilepsia e tetraparesia espástica.

Convidado especial do espetáculo, Miele interagia a todo momento com o público — predominantemente constituído na faixa etária dos quarenta anos em diante — contando boas e engraçadas piadas, fazendo versos poéticos, cantando, dançando, enfim, o velho Miele que o Brasil reconhecida e merecidamente jamais deixou de aplaudir.

Presente ao evento, a produção do blog "Cacarejada Virtual" perguntou-lhe: — Quando o o país volta a ouvir música de boa qualidade?

Jeito típico carioca, apesar de ter nascido em São Paulo, o showman respondeu de imediato: — Só a quando a Rede Globo deixar. E não sei se você sabe, a Globo quer acabar com a internet e planeja mandar fuzilar blogueiros que falam mal dela. Te cuidem, meus camaradas! alertou. 

Com seu indefectível copo do mais legítimo 12 years e a inseparável bombinha, Luiz Carlos Miele era uma figura simples e carismática. Fazia questão de cumprimentar e apertar a mão de todos que cruzassem seu caminho, indistintamente. Com ele, não havia tempo ruim.

Hoje em dia, principalmente, artistas do quilate de Miele não encontram substitutos à altura quando partem para o "andar de cima". Eles são únicos, deixam marcas indeléveis na história artística do país.

Por outro lado, alguém disse no Facebook que todo mundo tem uma foto ao lado do Miele. Também tive a minha, várias, aliás. A última foi feita pelo cantor Luiz Pié, no Teatro Rival. Como sou um tanto quanto desastrado acabei perdendo todas. Inclusive, a derradeira, ao formatar o computador. Descanse em paz!, Luiz Carlos Miele.