quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Criança dá demonstração de racismo explícito em Juiz de Fora


Por Marcos Niemeyer
mniemeyer50@hotmail.com
facebook/


>> No Alto dos Passos, bairro de classe média alta em Juiz de Fora, a moça responsável pela limpeza de um prédio de dez andares lavava a entrada principal da edificação, numa das etapas de sua árdua tarefa diária. 

Uma menina de oito anos, filha de um casal de moradores, insistia em atravessar o local montada no patinete que recebera de presente no seu aniversário, um dia antes. Vendo que a criança poderia cair e se machucar, a funcionária alertou educadamente:

— Ei mocinha linda, por favor, não brinque aí! Você pode se escorregar no chão molhado, cair e ficar dodói.

— Eu brinco, sim! Você não tem nada com isso, sua nega preta. Se coloque no seu lugar. Você é empregada, eu moro aqui, o apartamento é meu! — disse a garota em tom virulento.

Estabeleceu-se uma situação desconfortável no ambiente. Os pais da menina fizeram pedidos de desculpas, não aceitos pela ofendida. A moça disse estar empenhada em processá-los já que eles seriam, conforme acredita, os responsáveis diretos pela educação da filha.

Na hora do incidente não havia nenhum morador por perto. O caso, porém, foi presenciado por mais quatro funcionários do edifício e por um preposto da Cemig que tinha ido ao local fazer a leitura do consumo de energia.

Engana-se, pois, quem pensa que toda criança é um "amor" de gente. Para a socióloga paulista Eliane Cardoso, crianças e jovens podem mesmo ser terrivelmente maldosos, inclusive praticando "bullyng".

"São fruto de uma sociedade preconceituosa não só contra o negro, mas contra o pobre. Aí tem três aspectos: você é preta, racismo; você é empregada, soa quase como que na escravatura, ou seja, é pobre e limpa a sujeira que os outros fazem; o apartamento é meu, a propriedade privada é minha, tenho bens, sou abastada, mesmo que não o seja tanto assim, pois aqui a classe média e média baixa se sentem de elite e pensam com a cabeça da elite. Gilberto Velho, infelizmente, muito contribui, mesmo involuntariamente, para o mito da igualdade racial no Brasil. Eram aparências que agora estão a explodir", acrescentou a socióloga em seu comentário sobre o assunto que postamos no Facebook.

A demonstração de preconceito e racismo, além de ignorância, difunde o ódio e promove o crime. Quando vem de uma criança, por mais que seja ela "inocente", demonstra que a mesma assim está tendo sua personalidade moldada pelos pais ou responsáveis.

Mesmo que seja de maneira "involuntária", coloca a cria numa situação de superioridade em relação ao próximo, principalmente se for alguém que esteja a lhe prestar um serviço mais modesto ou considerado desqualificado. Lamentável sob todos os aspectos.
.
A Gol Linhas Aéreas oferece os melhores horários e tarifas entre Juiz de Fora (Aeroporto Regional da Zona da Mata), Belo Horizonte (Confins) e São Paulo (Cumbica/Congonhas). Acesse o site da empresa e confira
.