quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Nem tudo está perdido na música brasileira


Por marcos Niemeyer
mniemeyer50@hotmail.com
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>> Observamos com otimismo que amplia nas redes sociais o número de pessoas dotadas de bom senso levantando a voz em defesa da verdadeira música brasileira o que, aliás, já não é sem tempo. Triste, no entanto, observar renomados nomes da MPB pulando de alegria quando conseguem colocar duzentas cabeças num teatro ou mesmo em espaços abertos ao público.

Até o início dos anos 80 não era assim. Cantores e compositores do porte de Belchior, Paulinho da Viola, Emílio Santiago, Elis Regina, Beto Guedes, Milton Nascimento, Beth Carvalho e outros não menos capazes tocavam no rádio, nos programas de TV, nas festas populares, etc. Hoje em dia (pasmem!) esses ritmos cretinos inventados e anabolizados pela podre mídia lotam parques de exposição de norte a sul do país com até mais de 60 mil pessoas numa só noite.

E depois da queda, o coice. Lamentável que até mesmo alguns artistas (não vamos dar nomes aos 'bois' pra evitar eventuais 'mal-entendidos'), sociólogos, antropólogos e formadores de opinião usem os meios de comunicação e a própria internet em defesa do lixo sonoro.

Eles não fazem isso de graça, sem dúvida. Ganham milhões e viagens com tudo pago para os mais diversos pontos do planeta. Mas esquecem-se que estão prestando um verdadeiro desserviço à cultura do país. A indústria de entretenimento das massas montou uma estrutura quase que inderrubável, cujo objetivo é idiotizar cada vez mais as novas gerações.

Não é sem motivo que os grandes intérpretes — tanto nacionais, quanto internacionais — só cantam músicas dos anos 60, 70 e 80 em suas apresentações. Estão certíssimos. Afinal, nesses tempos modernosos (salvo exceções honrosas) não há nada que preste para se cantar.

O advento da internet, por sua vez, trouxe um grande alívio nesse sentido: pessoas das mais diversas origens, mas que rezam na mesma cartilha da boa música comentam, divulgam e compartilham informações relevantes sobre consagrados e novos nomes artísticos, além das mais belas  melodias que os atuais indigestos meios de comunicação ignoram. 

A estudante de Letras da Universidade Estadual de Santa Cruz Ilhéus/Itabuna (BA), Lúcia Costa, referendou uma nota que postamos no Facebook sobre o tema argumentando: “Não há espaço na mídia para novos compositores, novas músicas que não sejam os referidos lixos. Muita gente sonha em assistir grandes festivais, novos artistas. Eles estão por aí, porém, o 'jabá' é inconcebível."
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