sábado, 21 de novembro de 2015

Padres midiáticos


Por Marcos Niemeyer


>> Houve um tempo em que os padres trajavam respeitosas batinas e "abençoavam" o povo nas igrejas e nas ruas, sem cobrar um centavo por isso. Nesses tempos modernosos, porém, os cabras tornaram-se midiáticos e com pinta de galãs da TV e do cinema.

Eles usam roupas de grife, empinam o nariz por onde bordejam e até convocam a imprensa para entrevista coletiva. Não dão ponto sem nó. Há poucos dias um deles causou frisson na invernosa Juiz de Fora ao lançar seu mais recente livro de autoajuda num espaço privado da cidade — com direito a sessão de autógrafo aos mais "privilegiados" que pagavam pela publicação para vê-lo de perto —, enquanto o povo esmurrava-se do lado de fora sob forte chuva na tentativa de vê-lo pelo menos de longe.

No início da semana passamos em frente ao Cine-Theatro Central de Juiz de Fora, e lá estava imenso cartaz em letras garrafais anunciando a presença de outro padre bonitoso nos próximos dias no referido local apresentado seu show intitulado "Voz e piano".

Mas pode tirar o cavalinho da chuva quem pensa que a coisa é de graça. Os ingressos já estão à venda por "apenas" 80, 90 e 130 reais, respectivamente, conforme o lugar a ser escolhido nas áreas menos ou mais nobres do teatro.

A presença de padres midiáticos no Brasil tornou-se mais intensa durante a década de 90 e demonstra a vaidade da espécie diante dos holofotes e sua incansável busca por "status". Engana-se quem confia em  padre A ou B, principalmente aqueles bonitões que hoje em dia multiplicam-se feito formiga no pote de açúcar.

Não passam de autênticos lobos vestidos em pele de cordeiro. Minha saudosa vovozinha rogaria uma praga eterna nesses folgadões que usam a religião para enganar o povo e enriquecer cada vez mais suas recheadas contas bancárias.
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