terça-feira, 17 de novembro de 2015

Useiros e vezeiros tentam colocar Samarco como "vítima" da tragédia


Por Marcos Niemeyer
mniemeyer50@hotmail.com
facebook/


>> Apesar das evidências sobre a culpa da Samarco diante da tragédia que ceifou vidas, dizimou milhares de espécies da fauna e da flora e agora ameaça varrer o Rio Doce do mapa, políticos inescrupulosos e a parte podre da imprensa insistem em dizer que a mineradora foi “vítima de um rompimento”. Não há posicionamento crítico da grande mídia.

Alguns jornais, emissoras de rádio e TV chegam criminosamente a publicar na íntegra o material tendencioso que recebem da eficiente assessoria de imprensa da responsável pela catástrofe. Por sua vez, mesmo com a destruição sem precedentes ao longo do Rio Doce, “especialistas” afirmam descaradamente que a lama “não é tóxica”.

E por que, então, o fornecimento de água foi suspenso por mais de uma semana nas cidades atingidas, levando desespero a milhares de pessoas e toneladas de peixes e outras espécies foram mortos por conta da falta de oxigênio? 

E o boa vida Aécio Neves? Na maior cara de pau, ele se postou à frente dos holofotes midiáticos para vomitar que “não é hora de procurar os culpados.” Quer dizer, então, que mister se faz deixar o bandido fugir, após o mesmo cometer o delito?

Já o governador de Minas, Fernando Pimentel (PT), reuniu a imprensa para entrevista coletiva na própria sede da Samarco, em Belo Horizonte, dois dias após o início da tragédia, numa clara demonstração de apreço à empresa.

O local mais apropriado para o bacana falar aos jornalistas seria de frente pro crime ou seja, usando roupas comuns e calçado de galochas ao lado da lama. Mas já repararam como o governador mineiro só aparece na mídia, até mesmo no dramático momento, impecavelmente vestido e com os cabelos parecendo que acabou de sair de uma luxuosa barbearia?

Sinal de que ele não está nem aí para povo. Se não bastasse tanta indiferença e falta de responsabilidade diante da gravidade do fato, uma empresa terceirada da Samarco é que foi contratada pela própria mineradora para investigar as causas da desgraça.

É como se alguém cometesse um crime e, com da chegada da polícia, determinasse: “Podem ficar tranquilos! Deixem que eu mesmo cuido da investigação e aviso a vocês quando tudo estiver concluído."

O ovo da serpente que originou a Samarco foi gestado da união da Vale com a australiana BHP. Em 2011, a Vale foi eleita a pior empresa do planeta sobre direitos humanos e meio ambiente pelo “Public Eye People´s”, premiação realizada desde 2000 pelas ONGs Greenpeace e Declaração de Berna.

O troféu também é conhecido como o “Oscar da Vergonha”, que avalia os impactos socioambientais causados por empresas nos mais diferentes pontos do mundo. A BHP, por sua vez, vira e mexe arruma encrenca com as leis estrangeiras. Na Papua-Nova Guiné foi severamente punida pelas autoridades por provocar catástrofes ambientais.

Como podemos observar, só mesmo no Brasil é que os foras da lei encontram amplos espaços para promover todo tipo de desordem e não raramente se passarem por "vítimas". Muitos, aliás, se beneficiam devido a impunidade reinante.

Com as festas de fim de ano e o Carnaval se aproximando, é possível que a tragédia provocada pela Samarco caia no esquecimento. Quem viver verá.

E como bem disse no Facebook o marinheiro Bruno Magalhães, de Guarapari, no Espírito Santo: "Que essa empresa pague por cada vida interrompida, cada casa destruída, cada peixe morto, cada pessoa que está sem água nesse momento."
.