quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Ainda não é o Juízo Final, cambada!


Por Marcos Niemeyer


>> Inacreditável como o ser humano tornou-se escravo das novas tecnologias. Sem o tal do WhatsApp, que havia sido provisoriamente bloqueado por decisão da Justiça, muita gente sentiu-se mal, chorou, delirou, esperneou, roeu as unhas do dedão do pé ou escrevinhou longas resenhas em suas páginas virtuais como se o mundo fosse acabar e nada mais restasse.

Foi o assunto mais comentado das últimas 24 horas (os políticos adoram quando surge algo impactante pra desviar a atenção do povo em relação às suas tramoias). Sobrou até pra Dilma. "É tudo culpa daquela vaca desocupada, ela me paga! Vamos fazer um novo panelaço", disse no Twitter uma internauta paulista mais exaltada.

No caso das minhas atividades pessoais e profissionais, nada mudou durante o bloqueio continuei a manter contatos normalmente com amigos, clientes, etc, usando para isso o Facebook ou mesmo o celular com chip de duas ou três operadoras e pagando pouca coisa por cada ligação, independente do tempo falado. Por determinação do Tribunal de Justiça de São Paulo, o aplicativo voltou a funcionar no início da tarde desta quinta-feira (17). 

Aliás, eu cá nem sabia como o WhatsApp funcionava. Instalei a geringonça há poucos dias por insistência de alguns contatos mais chegados e confesso não ter sentido muita atração pela coisa (e quando meu santo não simpatiza com algo, é phoda). Certas invenções, não é difícil constatar, não fazem tanta falta. Na maioria das vezes, até atrapalham.

Com ou sem WhatsApp, a vida continua. Talvez, até um pouco melhor. Menos uma invenção modernosa pra encher o saco da gente. Sinto falta mesmo é das saudosas e românticas cartinhas de amor. Daquelas com marcas de batom, cheirando a jasmim, desenhos de flores, sapos, sacis, fadas, nuvens, chuva e outros singelos "aplicativos" (a exemplo da missiva que recebi recentemente de una linda e estilosa 'cabrocha' cinquentosa).

Na verdadeira cartinha de amor passava-se até cuspe (em vez de cola) pra fechar o envelope. (Fico a imaginar que a remetente desta também tenha "cuspido" ou respeitosa e carinhosamente passado a língua no papel antes de postar suas belas e bem escritas palavras).

Mais romântico e tentador? Impossível! Concordo com um certo jornalista mineiro que postou na internet: “Quem aprendeu a ler e a escrever à luz da lamparina de querosene, sabe se virar até mesmo se deixado nu ao norte do deserto do Jalapão, lugar que está na minha longa lista de pontos deste planeta a ser visitado.”
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