quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Decadência da música brasileira assume proporções alarmantes


Por Marcos Niemeyer
mniemeyer50@hotmail.com
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>> Torna-se cada vez mais difícil ligar a  televisão (ainda bem que dou-me ao luxo de não tê-la em casa) e ver talentos do porte Chico Buarque, Lô Borges, Belchior, João Bosco ou qualquer outro de igual importância artística. Nas FMs, também, a situação é lastimável. 

Ouvir música de boa qualidade no rádio passou a ser coisa de mil novecentos e Aracy de Almeida. Inacreditável que num mundo cada vez mais conectado, a maioria das pessoas desconheça a obra de grandes nomes da música nacional e internacional.

No ranking das "músicas" mais tocadas em 2015 no rádio brasileiro, conforme pesquisa feita na internet pela colaboradora deste blog, Selma Quintão, é praticamente impossível encontrar algo que preste. A trilha sonora vai da lama ao esgoto.

O predomínio continua (pasmem!) com o tal do "sertanejo universitário" e demais gêneros duvidosos e descartáveis. A falta de respeito e de interesse da mídia tradicional diante dos verdadeiros intérpretes e compositores alcançou proporções alarmantes.

Enquanto os grandes nomes da música nacional são ignorados, “artistas” inventados pelo sistema midiático levam multidões ao delírio de norte a sul do país. Se antes o "jabá" —  prática que consiste em comprar espaço no rádio e na TV principalmente, com o objetivo de divulgar artistas  não era novidade, atualmente esse tipo de artimanha ocupa praticamente toda a programação musical das emissoras de rádio e TV. 

Em relação ao esquema comercial, não resta dúvida que o anunciante vai divulgar seu produto nos meios de comunicação que ostentam maior audiência. E a audiência quem faz é o povo  induzido diante de uma massificação ridícula e cada vez mais pobre de conteúdo alavancada pela televisão, principalmente. Exceções até existem, mas são raríssimas.

Percebendo que o público está cada vez mais passivo e sugestionável diante de suas armações, a podre mídia anaboliza sua programação com nomes e programas descartáveis, subcelebridades e modismos cretinos que tomaram conta do sistema  nos últimos anos.

As redes sociais também contribuem de maneira negativa para que as novas gerações desconheçam os artistas consagrados e glamourizem a imbecilidade sonora.

Os pensadores Adorno e Horkheimer já teorizavam que toda forma de arte se torna mercadoria diante da indústria da cultura de massas. Impossível discordar. É praticamente inevitável que no futuro tal processo eliminará completamente da mídia e da cabeça do povo qualquer vestígio de boa música.

Não faz muito tempo contamos aqui neste blog o caso de uma estudante de comunicação da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) que em conversa conosco disse conhecer tudo de "música".

Perguntamos, então, se a moça tinha ouvido falar de Paulinho Tapajós alguma vez na vida. Visivelmente atrapalhada, a jovem respondeu: "É um índio, né?".
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