segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

O fim do mundo já teve início por aqui



Por Selma Quintão
selmaquintao@gmail.com
facebook/sq


>> A tragédia provocada pelo mar de lama da Samarco, que praticamente dizimou a vida no Rio Doce, agravando uma crise hídrica sem precedentes na história, alterou de maneira drástica o dia a dia da população de Governador Valadares, no Leste de Minas. 

Diante dos prejuízos ambientais, sociais e econômicos, a situação transformou-se numa pesadelo que parece não ter fim para os moradores da calorenta e abafada cidade de quase 300 mil habitantes.

A procura por água limpa e boa para se beber transformou-se na necessidade básica do sofrido povo da antiga Figueira do Rio Doce, nome do município antes de sua emancipação política, em 30 de janeiro de 1928.

Um mês após a catástrofe, dezenas de espécies de peixes  a exemplo do piau-vermelho, cascudo e lambari  não são mais vistos nas águas do rio. Morreram (pasmem!) sufocados pela lama tóxica da mineradora.

DEPOIS DA QUEDA, O COICE 

Centenas de moradores, muitos deles que chegaram a deixar a cidade por conta da falta de água, se instalando temporariamente em casas de parentes em outras localidades, mostram desânimo com relação à sua permanência no município atravessado pelo moribundo Rio Doce.

As consequências do envenamento e a interrupção do abastecimento d'água durante uma semana na cidade ainda são sentidos em diversos setores da economia local. O comércio registra queda de setenta por cento nas vendas. Bares, hotéis e restaurantes amargam prejuízos que chegam a cem por cento.

O Hotel Panorama, um dos mais tradicionais de Governador Valadares, foi obrigado a conceder férias coletivas aos funcionários e fechar as portas durante sete dias. Embora já reaberto, perdeu praticamente setenta por cento da clientela.

Segundo a gerência do estabelecimento, os hóspedes, em sua maioria viajantes de outras regiões do país, não confiam na qualidade da água que sai das torneiras e estão evitando a cidade como o Diabo foge da cruz.

APOCALÍPTICO

Na extremidade do colapso hídrico, um caminhão-pipa com oito mil litros chegava a custar mil e 500 reais, mais de o dobro em relação ao preço normal. A polícia tentou impedir o crime praticado no aumento dos preços, sobretudo na venda da água mineral. No entanto, apenas uma pessoa foi presa em flagrante delito.

Os flagelo ambiental causado pela passagem da enxurrada de lama provocada pelo rompimento das barragens da Samarco foram drásticos, e a restauração total é tida como impossível  conforme alertam ambientalistas.

Em Valadares, a maior e mais importante cidade prejudicada pela tragédia, o futuro deixou de ter perspectivas positivas e passou a ser dos mais sombrios. Se o mundo tem prazo de validade, o apocalipse já começou por aqui.

É um sofrimento gerado pela cruel ganância do capitalismo. Infelizmente todos nós, meros mortais, estamos sujeitos em menor ou maior escala a esses atos criminosos praticados contra a vida.
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