quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Marcas impagáveis na história da radiodifusão brasileira



Por Marcos Niemeyer


>> Diante de tanta asneira propagada atualmente pelas emissoras de rádio, é bom lembrar que tudo era diferente nesse cada vez mais insosso meio de comunicação. Quem tem mais de quarenta anos de idade, por exemplo, deve recordar com saudade de duas das melhores rádios da história brasileira: Mundial (860) e JB AM (940), ambas então sediadas no Rio de Janeiro e hoje apenas melancólicas lembrança no dial.

A Mundial, pertencente ao Sistema Globo de Rádio, era ouvida nos mais diferentes pontos do país numa época em que o FM praticamente dava seus primeiros passos. Com um estilo musical inconfundível, tocava os mais belos ritmos dançantes nacionais e internacionais.

A emissora, cuja frequência atualmente é ocupada pela CBN, revelou o mais expressivo disc jockey de sua época: Big Boy, pseudônimo de Newton Alvarenga Duarte (Rio de Janeiro, 01 de junho de 1943 — São Paulo, 07 de março de 1977).

O incomparável comunicador foi responsável por uma verdadeira revolução no rádio brasileiro. Com seu jeitão extrovertido, agitava o cenário musical do país através das ondas potentes de outrora. Big Boy criou uma linguagem jovem, que logo conquistou milhares de ouvintes em todo o país amparado por seu indefectível bordão "Hello crazy people, aqui fala Big Boy!".

A maneira agitada e irreverente como saudava o público através do microfone tornou-se marca registrada de um estilo próprio, descontraído, diferente do vozeirão de trombone dos locutores tradicionais. O radialista, que também era programador da Rádio Mundial, revelava sensibilidade ímpar por levar ao público melodias tanto nacionais quanto internacionais da melhor qualidade.

Big Boy atuou ainda na extinta Rádio Excelsior de São Paulo, TV Excelsior, também de São Paulo, TV Globo do Rio, escreveu para inúmeros jornais e revistas sobre as boas tendências musicais da época, foi produtor de discos e DJ dos “Bailes da Pesada”, onde mantinha um contato direto com o público que gostava especialmente de soul, sobretudo na Zona Norte carioca. O comunicador morreu novo, aos 33 anos, vítima de um infarto.

JB AM 

A Rádio Jornal do Brasil (AM), por sua vez, foi uma das Emissoras brasileiras de maior credibilidade. A Emissora se pautava, desde sua fundação, por um estilo sóbrio, elegante e imparcial.

Embora o jornalismo se constituísse na prioridade, o prefixo alternava seus noticiosos com uma programação musical de qualidade sem espaço para modismos ou músicas de procedência duvidosa (que naquela época não ocupavam os primeiros lugares nas paradas de sucesso como ocorre atualmente).

A JB (AM) ainda é lembrada como uma referência na história da radiodifusão brasileira. Um de seus mais relevantes programas era o “Varig pelos caminhos do mundo", Levado ao ar diariamente a partir da meia-noite tinha como patrocínio a lendária empresa aérea gaúcha. A qualidade das melodias tocadas, de fato, fazia o ouvinte "viajar" ao redor do planeta.

ELDORADO AM

Outra emissora de rádio carioca da mais alta qualidade foi a Eldorado AM (790). De propriedade do Sistema Globo tocava ao longo de sua programação clássicos nacionais e internacionais dançantes e rock progressivo.

Três emissoras cariocas, entre tantos outros prefixos de boa qualidade, que tiveram o mesmo fim diante da incompetência ou ganância de seus administradores. Foram incorporados por outras rádios dos mesmos grupos, mudando a programação para a mais sofrível das qualidades, ou simplesmente vendidas para os mercadores da fé. Com isso, o rádio brasileiro nunca mais foi o mesmo.
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