segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

"Marcha para Satanás" fracassa; organizadores já planejam nova tentativa



Por Marcos Niemeyer
mniemeyer50@hotmail.com
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>> Marcada para o final da tarde deste domingo (17) em várias capitais e grandes cidades do interior do país, simultaneamente, a "Marcha para Satanás", evento lançado no Facebook por uma figura intitulada Dagoberto Damasceno — suposto professor e mestre em Semiótica pela Universidade de São Paulo (USP) — fracassou em todos os locais onde foi realizada com reduzido número de manifestantes.

Apresentando propostas polêmicas e ao mesmo tempo progressistas, porém com manchete perturbadora, o encontro tinha por objetivo questionar e combater publicamente a influência da teologia na política e pedir o fim da isenção de impostos às igrejas.

Sem liderança, não houve sequer prévio aviso às autoridades, o que impediu a evolução do evento conforme chegou a ser previsto com carros de som e bandas gritando palavras de "ordem".

Em Juiz de Fora, debaixo de chuva e frio, a "Marcha para Satanás" também não surtiu o efeito esperado. Poucos adeptos compareceram entre ao Cine-Theatro Central e a Praça da Estação, trecho localizado no centro da cidade e escolhido por eles a para realização do evento.

Luiz Antônio Teixeira, 37 anos, motorista de uma empresa particular, levou a ideia a sério: "Estou aqui em nome de Satanás. Ele reina e nós temos de respeitá-lo. O Diabo não é isso que falam dele. Quem precisa de ajuda, ele ajuda. Basta ter fé nele."

Alguns simpatizantes do movimento argumentavam de maneira isolada que a marcha não era algo satânico de verdade e sim uma crítica aos movimentos religiosos conservadores. Segundo a visão da "Marcha para Satanás", o diabo não existe, assim como Deus também não existiria.

“Para não dizer que estamos copiando a Marcha para Jesus, os participantes da Marcha para Satanás estão proibidos de pregar ódio contra homossexuais, mulheres, trans e afins”, dizia a convocação para o evento, que continuava em tom sarcástico: “Pessoas que forem transar entre si, tudo bem, desde que seja em comum acordo, ao contrário de cristãos, condenamos qualquer tipo de abuso e estupro.”

A ideologia dos “adoradores de Satanás” é levar a discussão sobre a intervenção religiosa no Brasil. Formado majoritariamente por ateus, o grupo acredita que cultuar Satanás é o mesmo que cultuar outras divindades, a exemplo de Jesus ou Buda. Para eles, nenhum existe.

Um verdadeiro desafio para o Estado se manter laico e para seguidores de outras religiões não interpretarem como uma afronta às suas crenças. Nas redes sociais, sobretudo no Facebook, já surgem novas propostas de encontros semelhantes a qualquer momento em diferentes pontos do país. 

Em Manoel Honório, bairro localizado na região central de Juiz de Fora, um grupo que se diz "Admiradores de Satanás", se reúne toda sexta-feira, a partir da meia-noite numa sala alugada para discutir questões ligadas ao tema. A ideia, segundo um dos participantes que pede para não ser identificado, é fundar na cidade a "Igreja de Satanás".
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