sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Estátua de Drummond em Copacabana é mais uma vez vandalizada


Por Marcos Niemeyer
mniemeyer50@hotmail.com
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>> Centenas de cidades brasileiras gastam milhões de reais por ano para reparar estátuas, monumentos históricos e ônibus depredados. A situação é alarmante e demonstra, além do alto custo aos cofres públicos, a falta de educação e desrespeito do brasileiro com sua própria história e com o patrimônio que a todos pertence.

No início desta semana a imagem de um mulher postada nas redes sociais destacando a distinta montada na estátua de Carlos Drummond de Andrade, na Praia de Copacabana, na Zona Sul do Rio, causou indignação entre os internautas. A 'loira" siliconada mostra-se à vontade sem mesmo saber, provavelmente, quem tenha sido o poeta maior do Brasil.

"O fato inusitado foi feito por alguém muito desprovido de bom senso. Em Itapetinga, na Bahia, onde meu pai mora, tem uma estátua de um boi. Os visitantes costumam tirar fotos montados. Mas montar nas costas do Drummond é demais prá minha cabeça. Ridícula essa tal!", comentou no Facebook a estudante de Letras da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC/BA), Lúcia Costa.

"Que absurdo, estou chocada, falta de respeito total!", disse a produtora artística carioca Neyla Barreto.

"Deveria ser presa e processada por escandalizar a respeitável estátua", acrescentou o comerciante  paulista Luiz Geraldo Freitas.

Aliás, não é a primeira vez que a estátua de Carlos Drummond de Andrade torna-se vítima de vandalismo. Desde que foi instalada, em outubro de 2002, ficou sem os óculos por mais de dez vezes. Há pouco mais de dois anos, um casal pichou o monumento com tinta branca.

A parte mais atingida da obra em homenagem ao poeta mineiro, morto em 1987, foi o rosto mas também foram atingidos o peito e as pernas da estátua, que é um dos principais atrativos turísticos na orla carioca.

O monumento em homenagem ao maestro Tom Jobim, em Ipanema, também virou alvo recente de ataque perdendo parte de seu violão. Outra obra que tem sido vítima de depredações é a estátua de Noel Rosa, na Vila Isabel, Zona Norte carioca. Somente no Rio, segundo dados da prefeitura, são gastos cerca de dois milhões e meio de reais por ano para recuperação, limpeza e revitalização de monumentos e chafarizes.

Se o povo tivesse uma educação adequada não só em casa, mas também nas escolas, provavelmente esses atos condenáveis não ocorreriam. No caso da desocupada que montou na estátua de Drummond, a atitude foi tão deplorável quanto se a mesma tivesse arrancado um pedaço da obra ou vandalizado a mesma com uma lata de tinta.
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