quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Lei Rouanet não respeita sua proposta original


Por Marcos Niemeyer
mniemeyer50@hotmail.com
facebook/


>> A Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet) acaba de cometer mais uma bizarrice, entre tantas idênticas, ao sinalizar positivamente para que uma "cantora" que atende pelo nome de Claudia Leitte capte meio milhão de reais destinados ao lançamento de sua "biografia". 

A proposta da Lei Rouanet funciona da seguinte forma: através de renúncia fiscal, empresas públicas e privadas e pessoas físicas podem patrocinar projetos culturais e receberem o valor em forma de desconto no imposto de renda.

Ou seja, os cofres públicos deixam de receber parte daquele dinheiro em troca de um patrocínio cultural, uma forma de “terceirizar” um repasse de recursos federais. Se fosse mesmo para incentivar artistas de verdade, a medida seria merecedora de todos os aplausos possíveis.

Mas no caso dessa figura citada não passa de mais um autêntico despropósito, uma falta de respeito imperdoável. Afinal, a distinta nunca foi nem jamais será cantora, compositora, escritora, atriz, ou alguém que tenha feito algo importante em benefício da cultura do país. O que esperar, pois, de sua "obra antológica"?

Enquanto essas falsas celebridades são elevadas injustamente ao pedestal da fama, os verdadeiros talentos são cada vez mais ignorados pela mídia e pelo público em geral.

O renomado instrumentista Nelson Faria, por exemplo, lançou recentemente no Facebook  brilhante ideia de levar música de qualidade às escolas de todo país através do programa Um café lá em casa, no qual recebe semanalmente os mais consagrados compositores e intérpretes da MPB.

Até agora não vimos sequer uma simples nota sobre o assunto na mídia tradicional. O Brasil precisa rever urgentemente seus conceitos artísticos.
.