terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Odilon Barbalho: uma rara figura


Por Marcos Niemeyer
mniemeyer50@hotmail.com
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>> O professor aposentado Odilon Barbalho (foto), 67 anos, é uma das figuras mais inteligentes e carismáticas do nosso círculo de amigos, sejam ou não virtuais. Após lecionar técnicas agrícolas durante vários anos no Colégio Polivalente de Itajubá (MG) voltou para sua terra natal, Governador Valadares, no Leste mineiro.

De família tradicional no Vale do Rio Doce, o mestre é totalmente avesso ao consumismo e aos demais modismos que nada perdoam. Quem o vê pelas ruas, jamais faz ideia de seus vastos conhecimentos.

Barbalho, que já viajou por dezenas de países, fala fluentemente vários idiomas. Impecavelmente culto, se diz um “ignorante” digital. Não tem computador e abomina o uso do celular. “Não faço uso dessas tecnologias que vivem a roubar nosso precioso tempo”, declara tranquilamente com a sabedoria que lhe é peculiar.

Ele não gosta de dirigir e só sai de casa montado em sua indefectível bicicleta pelas planas e largas ruas da cidade. Seu traje básico é camiseta, bermuda, sandálias havaianas e um surrado chapéu de pano para amenizar o sol causticante de Valadares.

Possui em seu apartamento, com vista para uma bonita área verde da cidade, verdadeiro acervo literário. São centenas de obras dos mais relevantes autores mundiais estrategicamente distribuídas pelas impecáveis estantes.

A sensação que se tem é de estar numa biblioteca bem equipada. Sua impressionante coleção de vinis, com milhares de títulos, inclui basicamente música erudita. Clássicos da MPB também fazem parte do acervo. Duas vitrolas dos anos setenta acentuam o aspecto retrô daquele inacreditável espaço particular em pleno centro de uma grande cidade do interior brasileiro.

Recentemente Odilon, nosso amigo de longas datas, recebeu-nos cordialmente em sua moradia para um café com direito a deliciosos pedaços de bolo, pães e doces típicos da sobremesa mineira.  Odilon Barbalho é dessas espécies cada vez mais raras. Merece todo o respeito e consideração daqueles que tem a sorte de desfrutarem de sua amizade.
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