segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Samarco torra dinheiro na mídia tentando se passar como vítima da tragédia


Por Marcos Niemeyer


>> Numa estratégica jogada de marketing, tida como "institucional", a mineradora Samarco ainda tenta fazer-se de vítima, três meses após a maior tragédia já ocorrida no meio-ambiente brasileiro. Neste sentido, torra milhões de reais no programa "Fantástico", da Rede Globo, e em outros meios de comunicação.

Enquanto isso o Rio Doce continua sujo, feio e fedorento. Com a fauna e a flora seriamente prejudicadas ao longo da bacia do rio é praticamente impossível encontrar peixes e outras espécies ribeirinhas em seu habitat natural. Morreram sufocados pelo veneno que desceu da barragem de Mariana.

Milhares de pessoas que habitam as cidades atingidas pela sinistra lama evitam tomar a água que sai das torneiras. Recentemente provamos meio copo do líquido fornecido pelo Saae — autarquia municipal responsável pelo abastecimento de água em Governador Valadares, no Leste mineiro.

O gosto é terrível e pode causar vômito, diarreia e outras doenças a médio e longo prazos, muito embora "especialistas" no assunto dizem que a água esteja apropriada para o consumo. Diante de uma manobra maquiavélica, a causadora da catástrofe parou de fornecer água mineral aos moradores dos municípios atingidos pela catástrofe.

Isso significa que quem quiser beber água pura tem de comprar o galão de dez litros que não sai por menos de dez reais. Um crime contra a vida e a natureza provocado pela irresponsabilidade da mineradora.

O Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Doce (CBH-Doce) apresentou estudos e levantamentos sobre as áreas de situação hídrica crítica que atingem dezessete por cento da área da bacia. Em Minas, os municípios mais ameaçados são Governador Valadares, Aimorés, Galileia, Resplendor e Itueta.

Em reunião com o comitê, na cidade de Governador Valadares, durante balanço das ações emergenciais, foi cobrada maior participação da mineradora.

Um protocolo de intenções públicas e um relatório de prioridades de cada município serão entregues ao Ministério Público de Minas Gerais, responsável por gerir o fundo criado para a recuperação do Rio Doce, com recursos de vinte bilhões cobrados da Samarco. 

Os políticos, por sua vez, todos eles comprometidos direta ou indiretamente com a mineradora evitam maiores comentários sobre a tragédia que entrou para a história. E para calar ainda mais a boca da imprensa, a Samarco deposita imensurável quantia financeira nos cofres midiáticos. Como diz o provérbio popular "uma mão lava a outra".
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