sábado, 19 de março de 2016

Museu do lixo em Juiz de Fora tem verdadeiras relíquias


Por Marcos Niemeyer
mniemeyer50@hotmail.com
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>> Entre os inúmeros museus de Juiz de Fora, um deles é dos mais atrativos. Trata-se do "Museu do Lixo", espaço aberto à visitação pública com inacreditável acervo composto por objetos raros encontrados no lixo da cidade.

Segundo a direção do Departamento Municipal de Limpeza Urbana (Demlurb), responsável pela criação e manutenção do museu, a ideia é "retratar hábitos e costumes dos moradores de Juiz de Fora das mais diferentes épocas".

O visitante que vai ao local é surpreendido diante da incontável quantidade de peças em exposição. Os objetos são encontrados por garis da prefeitura, orientados para que encaminhem qualquer peça de valor ao museu.

Diariamente são recolhidas cerca de trinta toneladas de lixo em Juiz de Fora. Entre outros objetos, estão nas prateleiras do museu gramofones, aparelhos de rádio, relógios de parede, armas, livros e discos praticamente impossíveis de ser encontrados até mesmo nos sebos e antiquários.

É o caso de uma caixa de papelão encontrada num bairro nobre da cidade com dezenas de vinis antigos. A maioria era de música clássica e trilhas sonoras de filmes. Havia, por exemplo, um exemplar de "Concertos for Horn — número 4", de Mozart".

Há poucos dias, moradores de um prédio no centro da cidade jogaram no contêiner de limpeza dois dicionários Aurélio novinhos em folha. Com a facilidade de pesquisa na internet, bons livros estão indo parar no lixo. Parece que as pessoas, principalmente as mais novas, não querem mais saber de preservar objetos antigos. É um hábito saudável que aos poucos vai deixando de existir.

Na Europa e nos Estados Unidos, há um número incontável de pessoas que vivem exclusivamente dos objetos encontrados no lixo (fizeram disso uma atividade lucrativa). Após serem limpos e separados são vendidos para brechós, museus, antiquários e colecionadores.

Em Juiz de Fora também já existem figuras das mais diferentes procedências garimpando objetos raros no lixo dos bairros de maior poder aquisitivo e montando espaços físicos e virtuais com sucesso. A concorrência, porém, é grande já que há um batalhão de desempregados nas ruas com o mesmo objetivo.

Na "Feira do Rolo", que acontece aos domingos pela manhã na Avenida Brasil, é possível conferir de perto este incrível tipo de comércio. Tem até dentadura usada por dez "real" a unidade. Aliás, não apenas objetos antigos e inusitados são encontrados no lixo e levados para as feiras do gênero nas mais diferentes cidades do país.

Recentemente encontramos na mercadoria oferecida por um rapaz em Governador Valadares, no Leste de Minas, vários espéculos — "bico de pato", instrumento usado pelos ginecologistas no exame preventivo (Papanicolau).

Ao ver os objetos, a proprietária de um brechó na cidade e que se fazia por mim acompanhar, achou que tratava-se de "coisa roubada". Tive de explicar para a distinta que o cabra era honesto, havia mesmo encontrado os "bicos de pato" no lixo.
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