sábado, 18 de junho de 2016

Moradores de rua acendem fogueira para escorraçar o frio em Juiz de Fora


Por Marcos Niemeyer
mniemeyer50@hotmail.com
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>> Moradores de rua no centro de Juiz de Fora tem enfrentado temperaturas baixíssimas durante a madrugada desses últimos dias diante da massa de ar polar estacionada no Sudeste do Brasil. Os termômetros chegam a marcar oito graus, com sensação térmica de  dois graus em alguns momentos.

Na tentativa de espantar o frio intenso, eles acendem fogueiras nas vias públicas colocando em risco o patrimônio público e privado, além da própria segurança. Apesar das baixas temperaturas, a maioria deles evita procurar os albergues do município.

Os motivos são diversos: esses abrigos, mantidos pela Prefeitura, tratam os moradores de rua como se eles fossem animais, a comida é de péssima qualidade (costuma ser até azeda, segundo denúncias desses andarilhos) e os colchões estão entupidos de pulgas e piolhos. Sem contar que o sistema de acolhimento não aceita cachorros — suas inseparáveis companhias. É muito sofrimento e humilhação.

Por outro lado, há também no flagrante urbano os catadores de materiais recicláveis profissionais (não raramente confundidos como moradores de rua). Ágeis na labuta, chegam a ganhar mais de sessenta reais por dia somente com a venda de papelão, latinhas de alumínio e garrafas PET — sem contar os diferentes produtos que encontram nas lixeiras dos bairros nobres (peças de computador, livros e revistas raros, roupas e inúmeras relíquias). Tudo isso já tem compradores certos e o pagamento é à vista.

Em Bom Pastor, Alto dos Passos e São Mateus, três dos bairros de Juiz de Fora de maior poder aquisitivo, os catadores disputam diariamente a procura por garrafas de uísque vazias depositadas nas lixeiras dos condomínios. Cada litro é vendido por cinco reais, em média, para os falsificadores de bebida que agem na região.

Já os moradores de rua, que também tem por hábito catar material reciclável nas vias públicas e ao contrário do que se possa imaginar, não costumam ficar sem dinheiro no bolso (que a maioria usa para compra de bebidas alcoólicas e drogas) parecem mesmo acostumados com a vida que levam. É praticamente impossível alguém convencê-los a levarem um destino menos ingrato.
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