sábado, 25 de junho de 2016

Sessão nostalgia


Por Marcos Niemeyer
mniemeyer50@hotmail.com
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>> Em que pese o cinema tradicional, aquele das grandes salas, ter sido praticamente extinto por conta dos novos dispositivos tecnológicos, ir ao cinema — hoje basicamente restrito aos shopping centers — principalmente se o cabra estiver acompanhado pela cabrocha amada, é algo impagável.

Até uns trinta anos atrás, os grandes lançamentos cinematográficos eram aguardados com a maior das expectativas. O filme ganhador de um Oscar, por exemplo, gerava filas imensas que dobravam quarteirões.

Saudosos tempos do escurinho do cinema, "testemunha ocular" de namoros, noivados e casamentos. Antes do início das sessões, o espectador ouvia uma ruidosa sirene anunciando a abertura daquele tão esperado momento. Eram os memoráveis tempos dos seriados dos cowboys do Velho Oeste americano, dos grandes comediantes e dos espetáculos musicais da Broadway. 

Quem, por exemplo, tem mais de quarenta invernadas na cacunda e não se lembra de Flash Gordon, Will Kane, Ransom Stoddard, Harold Loyd, Bonanza, Tarzan, Bufallo Bill, Rin Tin Tin, Harold Lloyd, Jerry Lewis, Charlie Chaplin, Mazzaropi, Oscarito, Grande Otelo, Fred Astaire & Gene Kelly e tantos outros que a memória jamais esquece?

A propaganda dos filmes era feita através de cavaletes estrategicamente encravados nas principais esquinas da cidade. O começo da sessão de um filme era sempre precedido de um autêntico ritual. Fachos de luzes iam se apagando ao som de uma trilha musical.

Quando, enfim, a tela aparecia clara feito uma noite de lua cheia, a plateia ia ao delírio com intermináveis gritos e assobios. "Toreador de Andaluzia" era uma dos clássicos de abertura das "mágicas cortinas".

E o "homem da lanterna"? Todo cinema tinha um lanterninha, figura responsável por manter a ordem durante a sessão. Ele esculhambava o sujeito folgado que se espreguiçava na poltrona lançando os pés sobre o encosto da fileira da frente, xingava os porcalhões que esparravam comida para todo lado, chamava à atenção aqueles flagrados no mais íntimo dos “amassos” com a namorada ou mesmo dos adolescentes mais exaltados que aproveitavam o escurinho para fazer "justiça" com as próprias mãos imaginando o corpinho caliente das moças bem comportadas daquela época.

Diante do surgimento dos DVD's, internet, TV a cabo e outras geringonças modernosas, o cinema de rua desapareceu como que num passe de mágica. Em sua maioria, esses antes aprazíveis espaços culturais foram vendidos ou alugados para os mercadores da fé. Bons tempos que não voltam mais.
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