quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Duro golpe contra a democracia brasileira



Por Cláudio Moura*
Rio de Janeiro
facebook.com/claudio.carvalhodemoura


>> E o Golpe Branco foi consumado na triste tarde de 31 de agosto de 2016. Dilma Rousseff perdeu seu cargo por 61 votos a favor e 20 contra o Impeachment. Dilma deixa o governo sem que nenhum crime tenha sido provado contra ela.

Sofreu uma cassação politica, o que não é previsto na Constituição brasileira. O governo ruim de Dilma não serve como pretexto para a sua saída. A presidente foi cassada numa trama que envolveu uma série de situações alinhavadas e comandadas pela direita brasileira, derrotada quatro vezes consecutivas pelo PT.

Não satisfeitos, aliaram-se a outros fisiologistas de vários partidos e pequenas legendas de aluguel para derrubar a presidente legitimamente eleita. O deputado federal fluminense, Eduardo Cunha, um dos maiores bandidos do parlamento brasileiro em todos os tempos, foi o principal elemento na detonação do processo que chego ao seu final nesta quarta-feira (31).

Dilma teve sua sorte selada quando a Câmara de Deputados, talvez a mais corrupta do mundo, aceitou o pedido de instalação do processo de impeachment, já à época sem nenhum crime formal provado contra Dilma.

O golpe de misericórdia na presidente Dilma foi dado pelo seu vice-presidente, o ratazana Michel Temer, um oportunista e fisiologista contumaz, conhecido por suas tramas ardilosas no Congresso, que traiu a presidente para servir os interesses daqueles a quem ele sempre serviu: elites brasileiras, o mercado financeiro, o capital internacional e o parasita empresariado nacional.



O Partido dos Trabalhadores tem grande parte de culpa no que ocorreu. Ao aliar-se aos inimigos da classe trabalhadora, desde o primeiro mandato, o PT preferiu fazer o jogo institucional e defender a governabilidade a qualquer preço. Loteou seus governos e distribuiu cargos a todos os partidos que o apoiassem.

Deu no que deu: o PT afundado em corrupção e desmandos de toda ordem, os mesmos cometidos há décadas pelos partidos representantes da burguesia. Com a ascensão do grupo do golpista Michel Temer e seus aliados do PSDB, do DEM, do PSD, do PP e de mais uma dezena de pequenos partidos de aluguel, o futuro será mais duro para a classe trabalhadora; mais ainda que nos governos neoliberais/populistas da era PT.

Toda a sorte de cortes nos direitos trabalhistas, nas regras de aposentadoria e a precarização nas condições de trabalho deverão ocorrer nos próximos meses sob o comando do Congresso, que majoritariamente representa a classe patronal e os interesses do grande capital.

Sérgio Moro, o juiz seletivo, cumpriu o seu papel com a Lava-Jato: desmantelar o PT; vazar áudios seletivos na imprensa; calar-se em temas relacionados ao PSDB e não analisar gravações, antes de Dilma ser cassada, que poderiam colocar na cadeia mais de uma centena de empresários e políticos de vários partidos. 

Moro trabalha duro ainda na sua última missão: a de tentar tornar Lula inelegível. Os brasileiros que têm um mínimo de consciência do que se passa ao seu redor estão de luto. Não há vencidos e nem vencedores. Há sim um grande perdedor: o povo brasileiro, aquele que constrói a riqueza para os poderosos, uma minoria, usufruírem há séculos.
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*Cláudio Carvalho de Moura é gaúcho de Rio Grande e militante ativo do PCB. Radialista, exerce a função de sonoplasta há quase trinta anos no Sistema Globo de Rádio/ Rio de Janeiro (Globo/CBN). Nas Olimpíadas 2016 participou como convidado da CBN em diversos comentários sobre handebol.
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