quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Podridão sonora inventada pela mídia não respeita limites


Por Marcos Niemeyer
mniemeyer50@hotmail.com
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>> Após imbecilizar a preferência musical da maioria dos brasileiros com seus ritmos pra lá de cretinos, a podre mídia incentiva (via jabá recebido da indústria de entretenimento das massas) o surgimento de intelectuais defendendo teses de Mestrado e Doutorado em relação ao lixo sonoro e seus "cantores" no mais sórdido modismo ostentação.

Um país que lançou importantes movimentos musicais — a exemplo da Bossa Nova, Tropicália, Clube da Esquina, o Rock nacional do início dos anos oitenta, grandes nomes da MPB, os mais renomados compositores e intérpretes do samba de raiz ou mesmo a Jovem Guarda (como era bom ouvir no rádio e assistir nos programas de TV, até então apenas uma forma de entretenimento sadia) grupos do estilo "The Fevers", "Renato e Seus Blue Caps", "Golden Boys" e tantos outros que alegravam nossa juventude nas tardes dos finais de semana sem pancadaria nem tiroteio entre o público —, hoje dá um péssimo exemplo neste sentido (além de incontáveis outros nas mais diferentes áreas) às novas gerações.

Há poucos dias pegamos um táxi em Copacabana até a Rodoviária Novo Rio, onde embarcamos para Juiz de Fora. No rádio do veículo tocava uma tal de "dança da bundinha". Pedimos educadamente ao jovem motorista que trocasse de estação ou desligasse o aparelho. "Cê né brasileiro, não? Tô vendo que não gosta do que é bom", respondeu o cabra em tom de deboche.

Não é a primeira vez, infelizmente, que nos deparamos com situações desse tipo. Recentemente, num supermercado em Juiz de Fora, caixas de som tocavam em altíssimo volume o tal do "sertanejo universitário". Sugerimos ao gerente do estabelecimento que pelo menos diminuísse o volume de tamanha agressão aos tímpanos. Sem mais delongas, o moço foi taxativo: "Meu amigo, o povo gosta. E a voz do povo é a voz de Deus".

Mas não é apenas no Brasil que a música caiu de qualidade nos últimos tempos. A Europa e os Estados Unidos, antes celeiros incontestes de respeitáveis nomes artísticos, atualmente (salvo também honrosas exceções) nada mais lançam de interessante. A grande diferença é que nos países do Primeiro Mundo o público é exigente e seletivo.
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