domingo, 20 de novembro de 2016

Político brasileiro só mija fora do penico

É a primeira vez na história desse país (e tomara que não seja a última) que políticos foras da lei são presos e passam a ver o sol nascer quadrado no xilindró. De nada adianta riqueza, fama e poder, se o espírito e o caráter estão atolados até o pescoço na lama. Afinal, dinheiro nenhum desse mundo paga a liberdade e a dignidade do homem.  

Vendo as imagens de Anthony Garotinho e Sérgio Cabral, ex-governadores do Rio de Janeiro, numa situação vexatória e humilhante e cujas imagens estamparam as manchetes da mídia nacional e internacional no início da semana, dá pra sentir até "pena" — muito embora eles estejam colhendo aquilo que plantaram. Caso fossem honestos e honrassem suas atividades políticas, certamente não estariam passando por algo dessa natureza.

O encrencado com a lei, Anthony Garotinho (56 anos) — cujo nome verdadeiro é Anthony William Matheus de Oliveira — por exemplo, não é mesmo flor que se cheire. Também, radialista, ele iniciou sua controvertida vida pública no rádio aos quinze anos de idade, em Campos dos Goytacazes, no Norte fluminense, sua cidade natal. Trabalhou nas rádios Nacional e Tupi AMs, no Rio.

Em suas atividades radiofônicas, em vez de criar sua própria identidade, ganhou o apelido de "Garotinho", ao narrar preliminares de jogos de futebol, na Rádio Cultura, de Campos, com apenas quinze anos de idade, imitando o "Garotinho" José Carlos Araújo, ex-rádios Nacional e Globo e atualmente, na Rádio Tupi.

Ao entrar no ar, era apresentado da seguinte maneira: "Agora, com vocês, o garotinho Anthony Matheus". O apelido pegou, mas rendeu a ele processo na Justiça movido pelo verdadeiro "Garotinho do Rádio", o também radialista e narrador esportivo José Carlos Araújo, que consagrou-se com a referida alcunha — a ponto de registrá-la como sua marca.

Este processo, à época em que Garotinho (o político) concorria ao cargo de governador do estado, em 1998, acabou em acordo nunca cumprido pelo réu, que durante anos produziu e apresentou na Rádio Tupi o programa "Fala Garotinho, Show do Garotinho".

Após ingressar na política, Garotinho continuou a trabalhar no rádio, com destaque para suas incontáveis intervenções diárias na carioca "Melodia FM", de cunho político e religioso. Veículo de comunicação que até a metade do século passado chegou a ser considerado o mais importante de todos os tempos, o rádio, infelizmente, desembestou-se pelo caminho errado.

Atualmente, a maioria das emissoras está sob controle dos vendilhões da fé e dos políticos cada vez mais corruptos. Na condição de radialista profissional aposentado, com atuação em diversos prefixos nos mais diferentes pontos do país — inclusive, em emissoras de TV — confesso que sinto-me envergonhado em saber que as ondas do rádio serviram (e ainda servem) para criar falsos profetas e políticos que jamais deveriam abrir o bico pra falar asneiras frente aos microfones com o objetivo de enganar o povo.

Os verdadeiros profissionais do setor não merecem isso. E o ouvinte, muito menos. Diz o provérbio popular que "quem planta vento, colhe tempestade". No caso do "Garotinho" (e dos demais políticos desonestos), não adianta fazer birra ou tentar dar uma de vítima. Bangu e outros "vistosos" presídios aguardam sem mais delongas a presença deles. .
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