sábado, 10 de dezembro de 2016

João Bosco e a MPB da mais alta qualidade


Por Marcos Niemeyer
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>> Palco de grandes encontros artísticos ao longo de sua história, o Cine-Theatro Central de Juiz de Fora recebeu na noite desta sexta-feira (9) o cantor e compositor João Bosco, o mineiro mais "carioca" da MPB. O espetáculo integra a turnê "40 anos depois", já lançado em CD/DVD, que comemora o início da carreira do cantor, em 1972, com o lançamento do compacto "Agnus sei/Águas de março".

A coletânea contou com outras músicas que marcaram a brilhante trajetória de Bosco, a exemplo de "O mestre-sala dos mares", "De frente pro crime", "Coisa Feita", "O bêbado e a equilibrista", "O ronco da Cuíca", "Dois pra lá, dois pra cá" e "Papel machê", entre outras.

O show, com Kiko Freitas (bateria), Daniel Santiago (guitarra) e João Batista (baixo), deu início à primeira edição do projeto "Encontros Dom Bré", que trouxe a Juiz de Fora o expressivo artista. A abertura da apresentação contou com o juiz-forano Roger Resende (voz) e Bré na percussão que, juntos, passeiam pelo universo do samba. Em seguida, Bosco subiu ao palco sob aplausos de uma comportada plateia.

O repertório é resultante da união de canções dessas quatro décadas de produções e parcerias. João Bosco mostrou sua multiplicidade artística que transita entre o sincretismo de "Agnus sei" até o sucesso eternizado por Tom Jobim "Águas de março".

O samba carioca presente em suas obras foi destaque em "O mestre-sala dos mares, gravado em duo com Chico Buarque, "De frente pro crime", em parceria com a cantora Roberta Sá, além de outras conhecidas canções de sua autoria.

As músicas de João Bosco acompanham gerações. Ele vem de uma época em que o artista precisava mesmo ter talento para fazer sucesso. Desinibido, o compositor contou um caso pitoresco no meio do show em Juiz de Fora. Disse que só conheceu o mar quando já era um rapaz bem crescido.

"Diferentemente da maioria dos mineiros, não foi no litoral do Espírito Santo que avistei o mar pela primeira vez. Eu vivia entre Ponte Nova e Ouro Preto e mantinha contato com Vinicius de Moraes, Tom Jobim e outros nomes de destaque da música brasileira na época, através de correspondências ou alguns telefonemas. Certo dia, Vinicius me convidou para ir ao Rio e disse que tão logo eu desembarcasse na rodoviária pegasse um táxi e pedisse ao motorista pra tocar direto até o Leblon passando de frente da Baía de Guanabara. Viajei num busão que fazia a linha Ponte Nova/ Rio, via Ubá e Juiz de Fora. Quando vi o mar ao vivo e a cores, achei que estivesse sonhando", relatou sob risos descontraídos do público presente.

Ato contínuo, interpretou ao violão, “Fotografia”, de Tom Jobim, em lembrança ao “indelével” momento, lá pelos idos anos sessenta. Eu, você, nós dois/ Aqui neste terraço à beira-mar/ O sol já vai caindo e o seu olhar/Parece acompanhar a cor do mar.../.

A apresentação de João Bosco no Cine-Theatro Central terminou por volta da meia-noite. Em seguida, ele recebeu fãs, admiradores e os mais chegados em seu camarim para um bate-papo descontraído. O compositor, sem dúvida, é uma das essências do que ainda existe de melhor na música brasileira, implacavelmente castigada nesses últimos tempos diante dos ritmos cada vez mais duvidosos inventados e anabolizados pelos meios de comunicação modernos.
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UAI UAI PRA TODOS

Em merecidas férias a partir de hoje (11), a página deseja aos leitores e amigos Feliz Natal e que 2017 traga um balaio repleto de grandes realizações. Estaremos de volta na segunda quinzena de janeiro, ou a qualquer momento em caso de "edição extraordinária".
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