terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Rádio Globo fecha as portas em BH e demite funcionários no Rio



Por Marcos Niemeyer


>> Depois de catorze anos no ar, a Rádio Globo AM encerra suas atividades em Belo Horizonte. Com o fim da emissora, cerca de vinte profissionais perderam o emprego, entre jornalistas, operadores de áudio e equipe técnica. Segundo o coordenador de comunicação do Sistema Globo de Rádio, Igor Pinheiro Binder, trata-se de uma interrupção temporária, como parte de um amplo projeto de relançamento da emissora.

"Em 2017 uma nova Rádio Globo começa suas operações no Rio de Janeiro e em São Paulo, e em breve volta mais forte, no FM, para BH", afirma. Confesso que tenho minhas dúvidas se, de fato, é verdade. Em Belo Horizonte é rabo de foguete qualquer empresa de rádio AM tentar competir com a Itatiaia, principalmente na área esportiva. A emissora — que ainda consegue manter certo índice de audiência — é genuinamente mineira e o ouvinte, como se sabe, é bairrista.

A Rádio Globo jamais foi bem aceita na capital mineira. Pra começo de conversa, os times de futebol do Rio e São Paulo (salvo uma ou outra exceção) não tem vez em BH, onde prevalecem majoritariamente as torcidas de Cruzeiro e Atlético. E a emissora tinha mania de incluir em sua programação transmissões esportivas das equipes cariocas e paulistas.

Outro fato lamentável e que contribuiu para o declínio da emissora foi retransmitir durante certa temporada programas de comunicadores populares apresentados diretamente da matriz no Rio de Janeiro e até mesmo da Rádio Globo de São Paulo.

Ora, o ouvinte não é bobo. Quem de BH quer saber, por exemplo, que o trânsito está engarrafado em Copacabana ou que o maridão traído encheu a cara da "bendita esposa" de porrada, na Zona Leste da capital paulista? Esse negócio de rádio em rede nacional, não funciona. O rádio jamais deveria perder suas raízes, sua identidade local.

Ainda em Minas, outras duas emissoras afiliadas ao Sistema Globo — Rádio Globo de Governador Valadares, no leste do estado e Rádio Globo de Ipatinga, no Vale do Aço — também não aguentaram o rojão e encerraram suas atividades diante dos baixos índices de audiência e do faturamento que não dava pra pagar nem a conta de energia da Cemig (uma das mais caras do Brasil, diga-se de passagem).

De um passado glorioso, o rádio se agoniza diante desses novos tempos. Com a perda acentuada de audiência e a consequente falta de dinheiro em caixa, grandes emissoras só ainda não fecharam as portas em função, praticamente, das verbas oficiais mesmo minguadas que recebem.

Vejam o caso da Tupi do Rio: esta parece que não aguenta mais muito tempo. A empresa, de uma época memorável, está à beira do abismo, tendo demitido nos últimos meses dezenas de funcionários e os que ficaram estão com os salários em constante atraso. O futuro do rádio, só não admite quem não quer, é cada vez mais incerto.

Já dissemos aqui neste espaço virtual outras vezes que as novas gerações não ouvem rádio. Quem ainda tem tal hábito é a turma das antigas. Na medida em que esses tradicionais ouvintes vão partindo pro andar de cima, seus netos e bisnetos não vão ouvir nem Globo, nem CBN, nem Itatiaia, nem tampouco qualquer outro prefixo radiofônico que tente provar o contrário.

Se o rádio AM está na "UTI" ou ficará inviabilizado a qualquer momento em sua frequência original por conta da migração para a faixa das FMs, essas por sua vez que se cuidem. Com um simples pen drive de oito gigas é possível preparar uma seleção musical ao gosto de cada cabeça. Quem vai querer ouvir blá blá blá na ideia daqui pra frente?

PS:. Enquanto redigíamos essa postagem, ficamos sabendo que a CBN — Central Brasileira de Notícias, emissora pertencente ao Sistema Globo — volta a demitir em sua sede, no Rio. Ainda não se sabe o número exato de dispensas, já que a emissora evita comentar o assunto. Segundo a reportagem do site "SRZD", do Sidney Rezende, jornalista e ex-funcionário da casa, foram afastados a âncora da madrugada, Ceci Melo e os repórteres Silvana Maciel e Marcos Antonio de Jesus.;

Na Rádio Globo do Rio de Janeiro foi ainda demitida a repórter Diana Rogers. Um dos operadores mais antigos e respeitados da emissora, José Augusto, o “Zé Muvuca”, também recebeu cartão vermelho. As demissões ocorrem após a CBN ter sido considerada emissora de rádio com maior índice de prestígio pelo décimo sétimo ano seguido, de acordo com a pesquisa "Veículos Mais Admirados", da TroianoBranding.
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