domingo, 12 de fevereiro de 2017

Mídia transforma assaltante a mão armada em "cantor"


Por Marcos Niemeyer
mniemeyer50@hotmail.com
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>> O fato é inacreditável e vem diretamente da Bahia, terra de Caymmi, João Gilberto, Jorge Amado e incontáveis outros grandes nomes da música, da literatura e das artes em geral. A situação reafirma o nível de degradação cultural e moral em que o Brasil está mergulhado até o pescoço. 

Ítalo Gonçalves, o "MC Beijinho", 20 anos, um bandido, com várias passagens pela polícia por uso de drogas e assaltos a mão armada em diferentes pontos de Salvador, resolveu assaltar recentemente três rapazes que caminhavam com seus celulares numa das movimentadas avenidas da capital baiana.

De posse de uma faca, o marginal ameaçou as vítimas exigindo que elas entregassem-lhe os aparelhos. Ato contínuo, fugiu às pressas, mas acabou pego por policiais militares que passavam na hora pelo local do crime. Ciente da impunidade, já que para esse tipo de delito o autor é liberado poucas horas depois ou no máximo em um dia, o sujeito sentiu-se em casa. 

E o que acontece em seguida é uma formalidade chamada de "audiência de custódia", em que os responsáveis pela medida perguntam ao fora da lei se ele foi tratado com "respeito" e "dignidade" pelos PMs que o prenderam. Caso o miserável diga que não, aí são os policiais que entram pelo cano e podem acabar (acreditem!) presos.

Pois bem. Debochado e visivelmente drogado, "MC Beijinho" desceu algemado do camburão na porta da delegacia vomitando um de seus funks, intitulado "Me libera nega".  Surge, logo após,  algo surreal e que não teria outro lugar propício para isso que não fosse o Brasil. Uma equipe da TV Itapoã filmou o sujeito mostrando sua "verve artística" e dali para as redes sociais foi um pulo.

A merda tem ocupado os primeiros lugares nas paradas de sucesso de norte a sul do Brasil e promete ser o "hit" do Carnaval baiano de 2017. Conforme a jornalista Anália de Jesus Moreira, Beijinho só vai sair nos trios elétricos de Salvador por conta do advogado que lhe presta assistência, já que anda encrencado com a lei em outras situações e impedido de circular durante a noite ou frequentar bares.

Até o compositor Caetano Veloso, de um passado artístico insuspeitável, mas que ultimamente tem deixado a desejar pelo apoio declarado e consistente ao lixo sonoro, disse ter "amado" a coisa e a tocou ao violão em recente show na Concha Acústica de Salvador, acompanhado pela cantora Teresa Cristina.

Nas FMs popularescas e nos toscos programas da TV aberta em todo o Brasil, "Me libera nega" é a sensação do momento. Por trás de tudo isso, sem dúvida, há o dedo de pseudo intelectuais cuja proposta é imbecilizar cada vez mais o povo brasileiro, principalmente as novas gerações.

Aliás, as esquisitices que vira e mexe costumam ganhar espaço na mídia como "obras de arte", também ocorrem em diferentes pontos do planeta. Não igual no Brasil, obviamente. Mas vejam o caso do artista plástico italiano Piero Manzoni que defecou em várias latas e expôs a merda através de concorridas galerias ao redor do mundo, transformando-se num "artista respeitável" pela crítica especializada.

Num sebo localizado no centro de Juiz de Fora encontrei há pouco tempo o livro "O imbecil coletivo", do jornalista e escritor paulista Olavo de Carvalho. Em um trecho da obra, o autor discorre sobre professores das faculdades federais brasileiras tido como "intelectos", que tratam de imbecilizar não somente a si próprios, mas também os colegas e alunos de maneira cíclica. Não é à toa que ficou fácil identificar um universitário, antes e depois da Federal.

No caso da merda sonora de "MC Beijinho", o professor e maestro de música popular da Universidade Federal da Bahia (UFBA),  Alfredo Soares, disse aos jornalistas que trata-se de algo "clássico" e "erudito" e merecedor de aplausos por compor a "estética da diversidade musical/cultural brasileira". Confira a performance do "artista".

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