sábado, 15 de abril de 2017

O brasileiro tem os programas televisivos que merece


Por Marcos Niemeyer
mniemeyer50@hotmail.com
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>> Graças à ignorância da maioria do povo brasileiro, programas cretinos a exemplo do tal "bbb" (deveria mesmo ser escrito com letra minúscula diante de sua mais absoluta insignificância) fazem tanto sucesso e transformam-se num dos principais assuntos das rodas de conversa nos mais diferentes pontos do país.

A podre mídia, por sua vez, contribui para divulgar ainda mais esse que sem dúvida é um dos maiores despropósitos já surgidos na história da TV brasileira. Jornais, revistas e sites destacam em suas principais páginas algo que (não estamos aqui a defender a ditadura) jamais seria exibido pela televisão no período do regime militar.

Naquela época havia uma censura e todo excesso ou material "artístico" de procedência duvidosa eram devidamente barrados. Os principais programas televisivos não iam além de uma saudável forma de entretenimento. Impossível negar! Foi um dos períodos que o país mais cresceu no aspecto artístico/cultural. Só para citar um exemplo: comparem a música dos anos 60, 70 e 80 com o que toca atualmente na preferência popular.

Nos países do Primeiro Mundo também há programas tão repugnantes quanto essa bosta exibida pela mafiosa Rede Goebeels. A grande diferença é que lá eles são poucos vistos e comentados. O público daquelas bandas é mais instruído e exigente. Não costuma aceitar passivamente o lixo imposto pela mídia.

Aliás, ninguém precisa nem ser muito esperto para perceber que o tal programa não passa de um lixo fétido. Um estudo conduzido por Markus Appel, professor associado da Universidade de Linz, na Áustria, concluiu que quando as pessoas não pensam criticamente sobre o que estão consumindo numa mídia correm o risco de “assimilar características mentais expostase”.

Em outras palavras, a estupidez de participantes e apresentadores de absurdos como o "bbb" é desastrosa para a saúde de quem o assiste, ainda que temporariamente. “Não é como uma doença que você pode ter por um longo tempo. Nós não estamos dizendo que você será prejudicado um dia depois de ler um livro estúpido ou ver um programa de TV ruim”, disse Appel.

Mas a pesquisa mostrou que o desempenho em testes de conhecimento é prejudicado por situações dessa natureza. Num experimento com 81 pessoas, Appel pediu a diferentes grupos que lessem um roteiro que contava o caso de Meier, um hooligan alcoólatra e intelectualmente debilitado. Metade recebeu a instrução de pensar de maneira diferente do protagonista, enquanto a outra metade não teve instrução nenhuma antes de ler. Em seguida, todos fizeram um teste. 

O grupo que fez uma leitura crítica se saiu muito melhor — um processo que Appel considera ser responsável por manter longe do efeito contagioso da imbecilidade. Conhecimento geral não é o mesmo que QI, sem dúvida. Os resultados, de acordo com Appel, “contribuem para reforçar a tese de que as pessoas são influenciadas de maneira sutil, mas significativamente, por produtos de baixa qualidade”. É o caso desse canalhice  conhecida por "bbb".  
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