terça-feira, 9 de maio de 2017

Caprichos da natureza


Por Marcos Niemeyer
mniemeyer50@hotmail.com
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>> Em meio ao forte temporal que atingiu Juiz de Fora no final da tarde do último sábado (6), com rajadas de vento acima de cem quilômetros horários, raios riscando o céu feito labaredas de fogo, ruas cobertas de gelo por conta da chuva de granizo, vidraças de edifícios quebradas, árvores derrubadas, casas destelhadas e a população amedrontada (ainda bem que a tempestade não durou mais do que quinze minutos), um fato chamou-nos a atenção.

Na área em que moramos, bem afastada da muvuca da cidade, há incontáveis casinhas de joão-de-Barro estrategicamente erguidas em postes e árvores pelo pássaro "arquiteto" e todas elas permaneceram intactas, como se nada tivesse ocorrido. Meu avô já dizia que a ave edifica sua morada com o mais absoluto cuidado para proteger a fêmea escolhida e os filhotes das mudanças climáticas.

O bicho não é bobo e só faz a casa na direção contrária ao vento e à chuva, conforme a instabilidade da temporada. Isso significa que se numa época do ano a moradia tem a entrada de frente para o norte, pouco depois ele abandona o ninho e parte de "mala e cuia" para erguê-lo numa outra quebrada que pode tanto estar com a abertura voltada para o sul, leste ou oeste. Dessa forma, não há nenhuma mudança de tempo que o surpreenda.

O casal se reveza na construção do ninho, uma estrutura em formato de forno. O trabalho leva de dois a dezoito dias para terminar, conforme a disponibilidade de material. Mas se este falta, podem interromper o trabalho e iniciar outro ninho quando as chuvas formam novo barro. O joão-de-barro, (cujo canto se faz dos mais bonitos entre as aves  apesar de estridente) é um pássaro bastante popular, tanto que foi escolhido como a ave nacional da Argentina. Tornou-se parte do folclore de várias regiões, sendo personagem de lendas.

Uma delas diz que o macho pode encarcerar uma fêmea infiel no ninho até que ela morra, o que nunca foi comprovado. Também é dito que ele é um pássaro "religioso", pois suspende a construção do ninho aos domingos e dias santos. Não há, porém, nenhuma comprovação científica sobre tal peculiaridade.

O vô ainda falava que o local em que o joão-de-barro constrói o refúgio nenhuma tempestade derruba. O homem é que desastrosamente costuma desalojar o pássaro e roubar sua construção para servir de enfeite. Que maldade imperdoável!

Clique no play para ouvir o canto do joão-de-barro.

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FLATULÊNCIA MILIONÁRIA 

Em 1987, um maluco americano que morava em Salvador disse a um repórter do jornal "A Tarde", que tinha a "flatulência" do John Lennon "engarrafada" e pretendia vendê-la por "muitos milhões de dólares". Segundo ele, um francês endinheirado que morava no Rio teria manifestado interesse após ver o anúncio nos classificados de um jornal carioca de circulação nacional.

O cabra só não soube explicar como teria conseguido o peido do Beatle, nem tampouco comprovar a autenticidade do mesmo. Se fosse atualmente, a proposta estaria no ebay ou até mesmo no OLX e no Mercado Livre.
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