segunda-feira, 15 de maio de 2017

Mudanças radicais no Sistema Globo ameaçam a carreira de inúmeros radialistas



Por Marcos Niemeyer
mniemeyer50@hotmail.com
mn.facebook/


>> No Rio de Janeiro, a emissora demitiu dezenas de funcionários nos últimos meses e prepara uma nova manobra neste sentido. O "Show do Antônio Carlos", por exemplo, há trinta anos no ar e cujo nome do apresentador dá título ao programa, foi extinto da programação há poucos dias.

Em São Paulo, durante recente reunião realizada na sede da TV Globo pelos "pica-grossas" da empresa, estruturou-se um plano de "organização" do prefixo, que deve migrar brevemente para a frequência FM, abandonado de vez a cada vez mais caquética banda AM.

"Nova Rádio Globo" ou "Rádio Globo News" (inaceitável esse termo estrangeiro 'news' nos meios de comunicação brasileiros) estão entre os nomes cogitados que planejam tentar marcar a nova fase da emissora que tem mais de setenta anos de atuação. Até o tal do Padre Marcelo Rossi, que apresenta há vários anos na emissora um programa tido de "maior audiência no rádio brasileiro", deve dançar. Aliás, como bem diz o velho provérbio, o castigo anda a cavalo.

Tempos atrás, o "santo padre" mandou demitir um sonoplasta da Rádio Globo de São Paulo, simplesmente porque o profissional havia errado ao inserir um comercial no horário do distinto. Furioso, já que não "admitia erros" em seu programa, a tal figura pediu a cabeça do radialista (provavelmente em 'nome de Deus').

Outro que deve sambar é o apresentador Pedro Trucão, que conduz diariamente o "Globo Estrada" retransmitido em rede nacional para inúmeras afiliadas do Sistema Globo. Trucão, por sua vez, pegou o bonde em movimento e jamais citou em suas postagens nas redes sociais que o programa foi criado na década de oitenta por Carlos Alberto da Silva, o Calé, já falecido, nos bons tempos da Rádio Record de São Paulo e tinha por objetivo dar dicas de economia de combustível, condições das rodovias, estratégias para evitar assaltos, ofertas de cargas para os mais diferentes pontos do país, etc.

Durante muito tempo foi apresentado em formato de boletins de cinco minutos, com seis edições diárias. Chegou a ganhar um horário exclusivo na TV Bandeirantes, o “Clube Irmão Caminhoneiro Shell”. Com a morte de Calé, transformou-se em programa de duas horas de duração na Rádio Globo sob o comando do Pedro Trucão. Calé, para quem não sabe, é aquela voz marcante que fazia o papel do "Rock Bravo" (personagem valentâo) nos antológicos discos da dupla caipira (sertanejo de raiz), Léo Canhoto e Robertinho.

No início da década de noventa, também fui apresentador do Globo Estrada na Rádio Globo de São Paulo, nas folgas e férias do Calé. Jamais, no entanto, soube de qualquer referência a meu respeito na história do programa. O novo formato, que vai colocar apresentadores da Rede Globo nos espaços até então ocupados por radialistas de tradição e de grande audiência na Rádio Globo, tanto no Rio quanto em São Paulo, escorraça de vez o segmento popular que a consagrou ao longo de sua história.
. .