terça-feira, 23 de maio de 2017

Wilson Danilo deixou seu nome marcado na história da radiodifusão brasileira


Por Marcos Niemeyer
mniemeyer50@hotmail.com
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>> Wilson Danilo Medeiros de Jesus ou simplesmente Wilson Danilo, baiano de Salvador e que morreu quatro anos atrás, às vésperas de completar cem anos, foi radialista/ locutor, apresentador, cantor e compositor. Dono de um vocabulário extenso e apurado, além do potente vozeirão, iniciou sua carreira em 1942, no Rio de Janeiro, como locutor do sistema de alto-falante conhecido na época como "boca de sino".

Com seu indefectível "espírito de cigano", Danilo atuou em emissoras de rádio nas mais diferentes partes do país, incluindo emissoras dos Diários Associados, de Assis Chateaubriand. Entre 1949 e 1951, cantou nos programas de Paulo Gracindo, Ari Barroso e César de Alencar, nas Rádios Tupi e Nacional do Rio.

Nesse mesmo período gravou seu primeiro trabalho como cantor. Um disco de 78 rotações com as músicas "A Canção de Friburgo", de Antônio Caetano, e "Palhaço da Vida", de César Cruz. Desde então, foram vários discos, entre 78 rotações, compactos, compactos duplos e CDs.

Danilo interpretava tangos, boleros e clássicos da MPB com impressionante maestria. Ele sozinho, dava-se a impressão que havia uma orquestra no palco. Em 1957 o ilustre personagem mudou-se para Governador Valadares, no Leste mineiro, onde trabalhou nas rádios Mundo Melhor, Educadora e Ibituruna (as três únicas emissoras AM da cidade na época).

Nos referidos prefixos, hoje praticamente sepultados, Danilo fez de tudo: foi boy, faxineiro, sonoplasta, vendedor de publicidade, apresentador e diretor. Em seu programa, de cunho popular, tinha uma das maiores audiências de todos os tempos na região. Iniciava a apresentação do horário com frases e versos de autoria própria. Algo do tipo: "Menina linda/ da minha cidade/ meu amor pra você/ quero a tua felicidade/ meu amor/ meu bem querer...".

No início dos anos sessenta gravou num compacto de 78 rotações o batuque afro "Só o ôme", de autoria do compositor baiano Edenal Rodrigues, também interpretado por Noriel Vilella, do lendário grupo Nilo Amaro & os Cantores de Ébano.

/Ah mô fio / do jeito que suncê tá/ Só o ôme é que pode ti ajuda/ Sucê compra um garrafa de marafo/ Marafo que eu vai dizê o nome/ Meia noite sucê na incruziada/ Distampa a garrafa e chama o ôme/ O galo vai cantá sucê escuta/ Rêia tudo no chão que tá na hora.../.

Neste sentido, recuperamos de nossos arquivos em fita K-7 essa única gravação que temos disponível na voz do artista. Danilo jamais bebeu ou fumou. Deixou inúmeros filhos, netos, bisnetos e tetranetos. Aposentado e lúcido para a idade morou a maior parte de sua vida na bonita e calorenta Governador Valadares. 

Nas ruas da cidade era reconhecido e cumprimentado pelos mais antigos. As novas gerações, infelizmente, não fazem a mínima ideia de quem se tratava. Um autêntico talento que partiu para a eternidade praticamente esquecido pelo público em seus últimos anos de vida. Clique na imagem ou no play para ouvir " Só o ôme", com Wilson Danilo.
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