domingo, 4 de junho de 2017

Temeroso Brasil


Por Lúcia Costa*
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>> É deprimente ver pessoas se utilizando de artifícios de toda natureza para esconder suas verdadeiras faces, e até as intenções maléficas que nelas se agigantam a cada dia. Estamos assistindo a um espetáculo de regressão mental, o qual inclui até o discurso religioso dentro da política desqualificada.

É para isso que serve essa disseminação desenfreada de igrejas, religiões, programas sensacionalistas no rádio e na TV, promiscuidade e jornalismo manipulado? Até parece que o país só produz mazelas e aqui só tem criminosos quando se olha por esse ângulo. A começar pelo poder central, o Brasil da atualidade é mesmo um país de assombrar, é para se TEMER.

O Brasil está sob uma maldição chamada Temer, nome de verbo. Quanto mais você temer, mais frágil estará, e ficará incapacitado até de raciocinar. Seus reflexos diminuirão, porque você está com medo, está frágil. O discurso religioso, também impregnado de política suja e coerciva, intenciona, sobretudo fragilizar pessoas em nome do divino, e tem como consequência a alienação.

Nesse momento conturbado e de desesperança, há que se distinguir as intenções de quem se utiliza da religião para fazer política de alienação, enganação e temor. A política nesses moldes faz prevalecer o Temor. Quanto mais vulneráveis e confusos estivermos, mais fácil será tolher nossas vontades, nossos sonhos, mais fácil será aceitar a ameaça e desgraça que estão por vir em nome de um futuro defendido por quem sequer, nos têm respeito, ou se respeitam.

Nem o divino atenua a gravidade do mau-caratismo de políticos que se impõem goela a baixo dessa nação. As “vossas excelências” não merecem nosso respeito, sequer, fazem jus às funções que o povo os delegou através do voto. Não entendem de patriotismo. É lamentável! Saibam, senhores, que, quem tem respeito, se respeita, não aceita ser corrompido, não se corrompe, não aceita mentir para salvar seus interesses em detrimento de outrem.

Uma maioria absoluta de pessoas como eu só quer ser respeitada, ter seus direitos garantidos; saber que existe alguém em quem se possa confiar, principalmente àqueles aos quais confiamos o nosso voto. Não foi para isso, senhoras e senhores políticos que “vossas excelências” foram eleitas? Quais as qualidades que lhes podemos atribuir excelências? Estamos no vácuo, no vagão zero do trem da responsabilidade dos senhores para com o povo. 

Finalmente, não há mais dúvidas sobre a aparência e características daquela “cara” que a canção outrora suplicara para ser mostrada. “Brasil, mostra a tua cara”, quero ver quem paga pra gente ficar assim”. Já sabemos quem paga senhores. E paga muito caro por suas mordomias, seus estúpidos comportamentos perante essa nação. Pagamos até por seus crimes hediondos. Não entenderam que os trabalhadores e seus dependentes estão em desespero, senhores?

A cada dia vemos “vossas excelências” tramando contra nós, organizando-se, blindando-se de modo a distanciarem-se cada vez mais dos desvalidos brasileiros. Está claro para todos nós que, seus interesses é que prevalecem, porque suas "caras" já estão à mostra, a "cara" dos milhões. Pois, os privilégios não têm outro destino que não suas contas bancárias e de seus familiares.

Esperamos respostas convincentes, ou a luta por direitos não terá trégua. Vistam a vergonha, senhores, “vossas excelências” e respeitem o povo. Saibam que, não os autorizamos a destruir nossos direitos, nossa democracia, nossa soberania, entregar as nossas riquezas em negociações escusas, que visam apenas interesses particulares de vossas estupidezes. Nossa história, político/social e econômica dá conta de fatos que nos põem no ápice da vergonha. 

Mesmo assim, há quem negue tais fatos, há quem tente ocultá-los. Será vergonha, porque apoiaram mais um golpe de estado assim como o de 1964? Não precisamos ser cultos, ou doutores para refletir um pouco sobre a história formal dos livros, ou as denúncias implícitas na literatura, música e poesia. As metáforas querem aliviar a dor das histórias de horrores vividas pelos nossos ancestrais, como também as contadas por nossos pais e avós. 

Eles têm muito a nos dizer sobre o passado e sobre o que esperam do presente. O que os senhores dirão a eles, senhores? Vão deixar que morram de vergonha? Há que se lutar, Brasil, para que não se repitam as dores da “vergonha” mencionada pelo poeta Rui Barbosa em meio à escravidão. Ainda vivemos sob ameaça de quem deveria zelar pelo bem comum.

Tal ameaça anda a galope e na direção oposta da crença no respeito mútuo entre os brasileiros e tudo que lhe diz respeito. Nesse instante, lhes posso adiantar, nossa esperança se esvai a cada instante. Assim também é a nossa paciência, ela está acabando. Com o desrespeito que “vossas excelências” ora propagam sobre nós, sobre a nação, não nos resta outra coisa senão a desobediência. “Vossas excelências” estão insultando o povo brasileiro, e mais que isso, estão subestimando à nossa inteligência.

Entendam os senhores que, não estão autorizados a legislar em nome do povo, nem em nome dos trabalhadores desse país. Sobre vossas excelências pesam crimes graves. Pesa a deslealdade à Pátria Brasileira. Não foi essa a intenção nossa quando fomos às urnas votar. Não intencionávamos eleger bandidos. Nós queremos respeito e patriotismo de “vossas excelências” que de excelências não têm nada.

Nesse momento, o termo mais apropriado seria vossas indecências. Em nome dos que lutam por justiça, igualdade de direitos e justiça social, eu sugiro que os senhores se respeitem e respeitem o povo: respeitem-nos. Porque quem se respeita não mente para si mesmo, não mente para uma nação. Quem se respeita, não mente para ter sua culpa, ou pena diminuídas perante a ‘justiça’. E que justiça? Onde ela está?

Quem se respeita, não coage, não ameaça, nem oprime vulneráveis, ou quem quer que seja. Quem se respeita, não se vende perante a aceitação da parcialidade, tampouco, se rende a ela. A verdade, senhores, não é um aglomerado de “disse que disse,” ela está na consciência de cada um (a) de nós. A verdade é simples! A verdade não pode, e nem deve ser negociada, ou manipulada, tem que ser provada, apenas, provada.

A realidade está posta, mas o que os impede de enxergar, é a falta de caráter de “vossas excelências”, são as vossas indecências. O poder que ora exercem não lhes pertence, os senhores estão contaminados. Estão aí para que nós os absolvamos dos crimes hediondos que cometeram e continuam a cometer contra nós, contra os trabalhadores desse país.

Querem os senhores se isentarem dos crimes em seus tristes e lamentáveis históricos com o nosso aval. Com isso vão tentar nos cansar até a exaustão para que esqueçamos que os senhores nos traíram, traíram vossos juramentos. Infelizmente, eu ouço falar que brasileiro tem memória curta, é o que dizem.
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*Cantora e compositora. É formada em Letras pela Universidade Estadual de Santa Cruz — Ilhéus/ Itabuna (BA). Colabora eventualmente com este blog  escrevendo crônicas e artigos sob os mais diversos temas.
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