sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Brechós tornam-se cada vez mais atrativos no comércio de Juiz de Fora



Por Marcos Niemeyer
mniemeyer50@hotmail.com


>> Antes restritos a consumidores de baixa renda ou a uma pequena parcela da população avessa ao consumismo exagerado desses novos tempos, os brechós driblam a crise e se fazem cada vez mais presentes no cenário dos grandes e médios centros urbanos.

Em Juiz de Fora, o número de brechós cresce numa velocidade surpreendente. O preconceito em relação às peças que muitos não viam com bons olhos enquanto outros enxergavam nessas mercadorias “grandes achados”, se dava principalmente pelo questionamento “por que comprar peças de segunda mão, se posso pagar por peças novas?”.

Somente na área da Avenida Rio Branco, no centro da cidade, no trecho que vai do lago do Riachuelo até a Rua Espírito Santo, são mais de vinte brechós. Cada um mais diversificado que o outro e com roupas, acessórios e até objetos de decoração com preços dos mais atrativos.

Mesmo em áreas da cidade consideradas nobres, como é o caso dos bairros São Mateus, Santa Helena, Alto dos Passos e Bom pastor, observa-se um crescimento desses espaços que trabalham com vestuário usado e objetos diversos em bom estado de conservação. A forma de pagamento é sempre à vista, mas pode variar de acordo com o vendedor.

Alguns empreendedores do ramo aceitam cartões de débito e crédito. Formada em comunicação social e desempregada há mais de dois anos, Ivaneide Costa Lima, 45 anos, decidiu abrir um brechó na garagem de sua casa, numa movimentada esquina em São Mateus, na Zona Sul de Juiz de Fora.

"Nove meses atrás, quando iniciei esse tipo de comércio, percebi de cara que a aceitação das pessoas superou minha expectativa. Coloquei anúncio nas redes sociais e fiquei mesmo surpresa com o resultado", revela espontaneamente.

Bastante comum no exterior, principalmente na Europa, os brechós encontram terra fértil no Brasil com a mudança de costumes da população. Houve um tempo, por exemplo, que as pessoas tinham vergonha até mesmo de entrar numa loja de roupas usadas. Achavam "feio" ou "vergonhoso". Alguns chegavam a dizer que "dava azar" fazer uso daquilo que já tinha sido usado por outros. Puro preconceito, cada vez mais em desuso.

Afinal, não se faz transfusão de sangue e de órgãos dos mais diversos de quem morre para uma pessoa em vida, não se usa um automóvel ou uma bicicleta de segunda mão, um imóvel, não se troca de amores (que em sua maioria já passaram por mãos diversas)? Por que, então, não fazer uso uma roupa, um sapato ou qualquer outra espécie de objeto com tais características? Os brechós assinam embaixo e dão fé. 

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