quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Que voltem os cabelos naturais


Por Marcos Niemeyer
mniemeyer50@hotmail.com


>> O recurso do embelezamento artificial remonta ao tempo em que se amarrava cachorro com linguiça. Nessa era modernosa, porém, as fêmeas  vaidosas andam a exagerar na dose tornando-se praticamente impossível ver uma mulher a bordejar no pedaço em sua mais pura essência.

A maioria delas excede na maquiagem e nos cabelos pintados de amarelo-canário. A impressão que se tem é de um produto feito em série, tudo igual, tudo padronizado de acordo com as normas ditadas pela racista indústria cosmética e aval dos mafiosos meios de comunicação. Mas parece que nem tudo está perdido.

Na internet, sobretudo no Facebook, têm surgido diversos grupos de mulheres em defesa da naturalidade feminina. Até mesmo algumas famosas artistas vêm abraçando a causa e deixando-se fotografar diante de sua verdadeira identidade estética.

Já passava mesmo da hora de surgirem coletivos contestatórios dos padrões de beleza europeus que nossas belas morenas e mulatas tentam imitar na marra. Um dos mais atuantes neste sentido é o "Encrespa Geral", — Instituto de Promoção Humana, Desenvolvimento Social e Cultural. O projeto incentiva o uso do cabelo natural, crespo e cacheado, a valorização da autoestima, estética e identidade negra. 

As ações do instituto englobam ainda, a divulgação da cultura popular afro-brasileira e africana, por meio de eventos periódicos em diferentes cidades brasileiras. Atualmente o uso do cabelo natural é um movimento crescente no Brasil e em diversas partes do mundo. De fato, uma fêmea discretamente trajada, sem esses artifícios exagerados, resplandece a beleza que nenhum recurso maquioso consegue superar. 

Em sua sabedoria de poeta da música, o mestre Caymmi já dizia em uma de suas canções: Marina, morena/ Marina, você se pintou/ Marina, você faça tudo/ Mas faça um favor/ Não pinte esse rosto que eu gosto/ Que eu gosto e que é só meu/ Marina, você já é bonita/ Com o que deus lhe deu.../.

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