quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Rio Doce apresenta sinais de recuperação dois anos após a grande tragédia



Por Marcos Niemeyer
mniemeyer50@hotmail.com
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>> Dois anos após a tragédia provocada pela Samarco com o rompimento da barragem de Mariana, na região central de Minas, o Rio Doce vai aos poucos se recompondo – em que pese o fato de dificilmente voltar a ser como antes com sua verdejosa vegetação nativa e uma fauna repleta de animais.

Em Governador Valadares, no Leste mineiro e a maior cidade banhada pelo Rio Doce, já é possível ver pescadores em diferentes pontos do município retirando das águas — que ainda não estão totalmente limpas da lama apocalíptica da mineradora — peixes das mais diversas espécies. Observa-se, também, animais de pequeno porte e inúmeras aves bordejando às margens do rio. São pacas, capivaras, jacus, macacos, garças, tucanos, patos pretos, lagartos, cobras e até filhotes de jacaré.

Na ilha dos Araújos, bucólico bairro de classe média alta localizado na área central da cidade, há uma grande concentração de animais silvestres no trajeto do Rio Doce que segue na direção do Atlântico, no Espírito Santo. Uma atração à parte na Ilha é o calçadão de cinco quilômetros (todo revestido de pedra portuguesa) que contorna o bairro e serve para caminhadas de nativos e turistas. Imensas árvores e outras de menor envergadura acompanham o trajeto do calçadão. Quem passa pelo local pode até colher com as próprias mãos manga, banana, mamão, acerola, etc.

O pico da Ibituruna, com mil 128 metros de altitude em relação ao nível do mar e considerado um dos melhores pontos do planeta para a prática de voo live, é visto de todos os bairros da cidade. Anualmente, em março, é realizado em Valadares o Campeonato Mundial de Paraglider, com a presença de inúmeros competidores dos mais diferentes pontos do país e do exterior. "Gevê", como também é conhecida, conta com outros locais interessantes a exemplo do Mercado Municipal, o Museu da Cidade, a Praça Serra Lima, a Estação Ferroviária, a Catedral, a antiga Açucareira, etc.

O comércio é forte e bem diversificado, com centenas de lojas espalhadas pela cidade. Quem gosta de visitar bazares e brechós não pode deixar de conhecer um dos mais charmosos deles. Trata-se do “Brechó Cotidiano”, localizado no número 325 da Rua José Luiz Nogueira, ao lado do mercado, no centro da cidade. Bem movimentado, o estabelecimento possui roupas e acessórios que agradam a gregos & troianos. A proprietária do brechó é a paulista e budista Selma de Lima Quintão, 53 anos, que estudou filosofia e gosta de música boa. Em sua loja, uma vitrola vintage toca diariamente em som ambiente Bossa Nova, Clube da Esquina, jazz, música clássica e até canto gregoriano.

Cidade planejada e relativamente nova (completa 85 anos de emancipação política em janeiro de 2018), Valadares tem ruas e avenidas amplas e retas. É toda arborizada e sua população atual é de cerca de 300 mil habitantes. Registrando altas temperaturas na maior parte do ano, Governador Valadares tem vivido momentos atípicos nesses últimos meses.

Esse ano fez até frio na cidade (em julho os termômetros chegaram a registrar 12 graus pela manhã), o que raramente ocorre por aqui. E após um longo período de estiagem, esta semana voltou a chover na região. Não o suficiente para deixar o Rio Doce caudaloso, mas contribuiu de maneira significativa para manter a temperatura agradável.