quinta-feira, 1 de março de 2018

A volta do Jornal do Brasil


Postado por Marcos Niemeyer
bcmniemeyer@gmail.com
facebook m.n


NOTA DESTE BLOG:
A volta do Jornal do Brasil em sua edição impressa no último domingo (25), sob o título — "O Rio tem solução" e a imagem do Cristo Redentor estampando a primeira página  movimentou as redes sociais e foi comemorada por leitores de diferentes tendências, profissionais do setor, artistas e jornaleiros.

De um passado glorioso, em que seus artigos pautavam pelo equilíbrio da informação correta e não tendenciosa como ocorre atualmente com os meios de comunicação em geral, o JB deixou de circular nas bancas há oito anos. Durante esse período, somente a versão online ficou disponível. Bom seria se o tradicional diário conseguisse manter sua imparcialidade e respeito ao público. Mas os tempos são outros e, na prática, é pouco provável que tal fato ocorra.

Independente disso, porém, uma nota publicada em sua página no Facebook pelo radialista e jornalista carioca Áureo Ameno, que durante muitos anos foi redator do lendário "Repórter Esso", além de atuar no próprio Jornal do Brasil, é digna de ser lida e guardada na memória. Um texto claro e objetivo, sem os enfadonhos discursos políticos, acadêmicos ou sociológicos que acabam nada dizendo ou mesmo confundindo o leitor. Digno dos grandes redatores (algo cada vez mais raro nessa era da tecnologia).
....

Por Áureo Ameno

A VOLTA DE UM SER MUITO AMADO! 

Quando eu escrevia o Repórter Esso, pela UPI, a redação funcionava na Avenida. Rio Branco, 110, no centro do Rio, sede e redação do histórico Jornal do Brasil. Durante vários anos madruguei ali. Passou a ser um "puxadão" da minha própria casa. Puxado, porque ali não se admitia os diminutivos, os "inhos" da vida. Tudo era grande. Tudo era História. 

Até o velho elevador, todo aberto e sonolento, dos tempos do Império. (Sei lá, se no Império já existia elevador. Que seja do início dos elevadores). Os janelões davam para a Avenida Rio Branco, no esplendor do seu vai-e-vem de carros e gente. Uma alta árvore quase derramava seus galhos redação à dentro.

Se tudo era história, mais que tudo, tudo era escola. Escola de jornalismo. Escola de ética. Escola de Cultura. Escola de informação segura. Escola de vida. Escola de grandes mestres. Tremia na base e até de sagrado medo, quando tomava o elevador ao lado de grandes nomes do jornalismo nacional. La passei vários anos, trabalhando, aprendendo, produzindo o mais importante noticiário do rádio e da TV, vivendo, acompanhando, testemunhando História. 

Porque a história é o presente do futuro que preserva o passado. Que gostoso chegar cedinho ao JB, pegar o jornal ainda quentinho, acabando de sair, no térreo. E mergulhar naquele mar de informações, de cultura, de civilidade. Que privilégio saber que se está produzindo um importante noticiário, dentro de uma importante agência de notícias, no interior de um dos mais importantes jornais do mundo. Um dia, os dois saíram da minha vida.

A importante agência e o importante jornal. O de papel saiu voando, já de um prédio mais moderno, Avenida Brasil sem rumo, ninguém sabe pra onde, deixando uma saudade imensa do carinho com que se fazia jornalismo. Nostalgia da falta de um grande amigo e mestre que partiu não sei pra onde.

O tempo passou, a saudade ficou, o velho jornalista já aposentado e o amigo voltando. Não tive coragem de ir à banca. Gostaria de ter vivido, mas não tive coragem de viver a emoção de ver o amigo exposto, mais uma vez, com todas as honras de quem banca. Na banca, no coração. na própria vida. Bom retorno, amigo. Já posso morrer tranquilo. Você, que foi parte da minha vida, como comunicador e leitor, está de volta. Que seja para sempre, meu querido Jornal do Brasil.
...