quinta-feira, 8 de março de 2018

Juiz de Fora cria medalha com nome de escrava do fundador da cidade

Por Marcos Niemeyer
bcmniemeyer@gmail.com


>> A partir da criação da "Medalha Rosa Cabinda" — que acaba de ser colocada em prática, fruto do esforço de coletivos feministas de Juiz de Fora e concedida justa e merecidamente apenas a mulheres — a primeira negra que utilizou a Justiça para ganhar liberdade no município, e cujo nome estampa a honraria, passa a ter seu lugar garantido na memória da cidade que ainda tem visíveis indícios de uma podre alta sociedade discriminatória.

Conforme o livro “Aspectos cotidianos da escravidão em Juiz de Fora”, de Elione Guimarães e Valéria Guimarães, Rosa Cabinda era (pasmem!) escrava pessoal de Dona Carlota Halfeld, esposa do engenheiro alemão Henrique Halfeld, o fundador da invernosa cidade. O inventário da tal Carlota sinalizava que Cabinda comprasse sua liberdade. Halfeld, porém, subiu nas tamancas não aceitando a proposta da escrava, afirmando que ela valia mais do que a quantia que a mesma oferecia. 

Valente por natureza, Rosa recorreu aos meios judiciais e acabou conseguindo adquirir sua liberdade pela quantia que propôs ao truculento estrangeiro. Antes da Abolição da Escravatura, Juiz de Fora chegou a ter mais escravos do que Ouro Preto e Mariana.

Num aspecto sombrio da história, praticamente todas as ruas do centro de Juiz de Fora têm nomes de figuras que os bacanas da época decidiram que eram consagradas. Um caso recente com relação ao nome de uma pequena rua causou indignação popular na cidade.

Durante a construção de um edifício numa área de classe média, o ajudante de pedreiro Carlos Augusto de Jesus, 35 anos, que trabalhava na obra morreu esmagado por uma viga de aço. A rua, cujo nome era apenas a soma de dois números, ganhou tempos depois placa com a identidade do trabalhador em sua homenagem.

Uma "grã-fina" que se dizia “socióloga” e “budista”, mudou do local por achar que a via não ficava bem tendo o nome do operário. Temendo tomar futuros "prejuízos", com os os "bacanas" evitando adquirir imóveis ou apenas morar na área, a construtora responsável pela maioria das edificações na referida via conseguiu através de uma manobra política que a rua voltasse a ter apenas os dois números em sua identificação.
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               SÓ PRA QUEM TÁ COM OS BURROS NA SOMBRA


O show de Milton Nascimento no próximo dia 17, a partir das nove da noite, no Cine-Theatro Central, em Juiz de Fora, tem ingressos a 183 e 163 reais nas plateias A e B, respectivamente (inteira) e noventa reais (meia) em ambas. O espetáculo faz parte da turnê "Semente da Terra", que Milton já havia apresentado no mesmo local, em novembro do ano passado. Morando em Juiz de Fora há cerca de dois, o compositor raramente é visto em locais públicos.

Há quem afirme que ele, diferentemente da música "Nos bailes da vida', de sua autoria — na qual diz que "todo artista tem de ir aonde o povo está" — parece não ser dos mais acessíveis aos seus fãs. Com tantos espaços culturais públicos em Juiz de Fora, por exemplo, Milton até hoje não criou coragem para fazer uma apresentação aberta ao povo na cidade.

Dos grandes nomes da MPB "Bituca", sem dúvida, é um dos mais conhecidos e aceitos (ainda) até mesmo pelo cidadão mais simples. Não se trata de crítica. Afinal. quem sou eu pra criticar Milton Nascimento. Mas a verdade tem que ser dita. Depois reclamam que o povo só ouve porcaria.
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