quinta-feira, 22 de março de 2018

O phodástico radialista Perereca


Por Marcos Niemeyer
bcmniemeyer@gmail.com
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>> Na cidade mineira de Nanuque, localizada próximo à divisa com o Extremo Sul da Bahia, um radialista por nome de José Agripino Cipriano, popularmente conhecido pela alcunha de "Perereca", era a sensação no início dos anos setenta nas ondas radiofônicas do município. 

Simples e divertido, Perereca apresentava diariamente um programa matinal na finada Rádio Difusora de Nanuque, o "Show do Perereca", onde tocava boas músicas caipiras em seu mais autêntico estilo, recebia os velhos sanfoneiros da região pra dar uma canja ao vivo, contava piadas, lia cartinhas dos ouvintes, atendia imploranças diversas dos menos favorecidos pela sorte com a distribuição de medicamentos, roupas e alimentos que conseguia com os patrocinadores ou através da caridade proporcionada pelo público mais abonado, botava a boca no trombone contra os políticos desonestos (naquela época já havia), etc.

O radialista andava mais que cachorro vira-lata sem dono montado numa velha bicicleta Husqvarna, de 1925, herdada de seu velho pai, um jagunço nordestino mais bravo que galinha choca. Apesar de não ser bonito, Perereca fazia o estilo "galã de cinema" das antigas.

Tinha os cabelos cheios e bem penteados com brilhantina, só vestia calça branca social Gabardine engomada, camisa "Volta ao mundo", sapatos Vulcabras impecavelmente engraxados e uma "capanga" — espécie de bolsa pra guardar os pertences — que os cabras daquela época possuíam. Com seus quarenta anos de idade na cacunda e ainda solteiro, porque achava que casamento tira a liberdade daqueles que resolvem juntar os panos de bunda, não tinha uma ouvinte sequer que o distinto não namorasse.

Seu vozeirão trovejante deixava a mulherada sonhando acordada e babando de desejos aqui impublicáveis. "Só num me apetece muié casada, sô! Aí é trem perigoso demais da conta, uai", dizia com seu largo sorriso e a dentadura foleada a ouro saltitando na gengiva. Certo dia, Perereca conheceu uma jovem donzela recém-chegada à cidade.

Os dois se desembestaram num namoro às escondidas das retinas alheias, principalmente dos pais da moça. Poucos meses depois, a menina, de apenas 16 anos, apareceu grávida. Lugar pequeno e ainda mais naquela época, o falatório foi geral. Todo mundo queria saber quem havia deflorado tão bonita cabrocha.

Chocados diante do fato, os pais da garota decidiram "apertar" a filha pra descobrir o nome do fedazunha responsável por aquela desgraceira. "Foi o Perereca, mas eu amo ele!", respostou chorando a adolescente. Nesse meio tempo, o come quieto já havia tratado de abandonar a cidade e fugir sem mais delongas lá pras bandas de Teixeira de Freitas, na Bahia, que na época ainda era um desconhecido lugarejo, distrito de Alcobaça.

Vaqueiro destemido e em nome da honra da família, o pai da moça arrumou uma turma de amigos e foi atrás do Perereca. Armaram uma emboscada com a intenção de antecipar a ida do dito-cujo pru andar de cima. Mas o radialista tinha mudado de cara e profissão e agora estaria atuando como funcionário de uma funerária na localidade.

Era véspera da noite de São João e o pai da mocinha, cuspindo marimbondo pelo escutador de novela, acendeu uma fogueira na única praça pública do lugar com o auxílio de seus capangas. O bando saiu de porta em porta convidando o povo pra "comemorar" a data. A intenção, porém, era que o Perereca também aparecesse por lá, pois seria queimado vivo no fogaréu.

Estabeleceu-se uma festança naquela noite. E, eis que repentinamente, vem de lá um indivíduo de voz empostada, todo bonitoso e montado numa bicicleta enferrujada. Achando que era o tal do Perereca, o vaqueiro e seus homens partiram pra cima daquela excêntrica figura cobrindo-lhe de porrada.

Ato contínuo amarraram o coitado com corda de fazer cabresto e já iam assá-lo na fogueira quando, diante dos gritos de "pelo amor de Deus", uma viatura da PM baiana que passava pelo local parou pra ver que confusão medonha era aquela. Por pouco os vaqueiros não cometem o assassinato de um inocente com extremos requintes de crueldade.

Mas não era o Perereca que estava ali. Apenas um trabalhador da zona rural parecido com ele. Como o local ainda era uma terra sem lei, nada aconteceu com os vingadores, que voltaram pra Nanuque sem botar seu "modus operandi" em prática. Ou seja, jogar o radialista vivo na fogueira com a intenção de vingar a jovem deflorada. Depois desse dia, ninguém jamais soube do paradeiro do Perereca.
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A DERRAPADA DO "VIBRANTE" 

Durante a transmissão do Jogo Tupi e Cruzeiro, na noite da última quarta-feira (21), em Juiz de Fora, partida válida pelas semifinais do Campeonato Mineiro, o veterano narrador esportivo da Rádio Itatiaia de Belo Horizonte, Alberto Rodrigues — o "Vibrante", se enrolou todo quando tentava pronunciar a oferta de um aparelho de televisão "Smart TV Full HD" vendido pela Ricardo Eletro. Foi "socorrido" descontraidamente por um dos repórteres da emissora. Confira:

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