terça-feira, 24 de abril de 2018

Geraldo Pereira: há 100 nascia em Juiz de Fora esse importante nome da MPB


Por Marcos Niemeyer
bcmniemeyer@gmail.com


>> Se vivo estivesse, o compositor juiz-forano Geraldo Pereira teria completado 100 anos nesta segunda-feira (23). A herança musical do artista, nascido em 1918, em Torreões, bairro/distrito da cidade, é parte indelével da estrutura do samba (ele foi o criador do samba-sincopado) e da Bossa Nova.

João Gilberto, criador do mais importante movimento da música brasileira, tinha em Geraldo Pereira um ídolo declarado. De vida desregrada, Geraldo morreu novo e pobre, aos 37 anos, durante uma briga com o travesti Madame Satã, na Lapa, bairro boêmio carioca, que aplicou violento soco no pescoço da vítima. Ao cair e bater com a cabeça no chão, o compositor teve forte hemorragia e não resistiu.

"Falsa baiana", "Escurinho", "Golpe errado", "Bolinha de papel", "Pisei num despacho" e "Acertei no milhar" são algumas de suas principais composições gravadas por grandes nomes da MPB — a exemplo de João Gilberto, Gal Costa, Chico Buarque, Quarteto em Cy, Caetano Veloso, Paulinho da Viola, Gilberto Gil, Cristina Buarque, Moreira da Silva, Zizi Possi e Jackson do Pandeiro.

Na cidade em que Geraldo Pereira nasceu há pouca ou nenhuma referência sobre ele. Apenas na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), uma sala de música tem o nome do artista. Um jornal local mostrou em sua edição do último domingo (20), a casa em que Geraldo teria morado até doze anos de idade quando sua mãe, uma parteira e benzedeira, teria levado o menino para o Morro da Mangueira, no Rio de Janeiro.

A suposta residência fica no número oito, da Rua Três Ilhas, em Santa Luzia, na periferia de Juiz de Fora. A área é uma vila de casas preservadas. Em Torrões, bairro onde Geraldo Pereira nasceu, houve roda de samba e apresentações diversas em sua homenagem na tarde do último sábado (21).

A Rádio Batuta, do Instituto Moreira Sales, lançou uma série de dez podcasts em homenagem ao centenário de Geraldo Pereira, com comentários e pesquisa de Pedro Paulo Malta e Rodrigo Alzuguir. O primeiro capítulo relata as origens: “De Juiz de Fora à Mangueira”. Clique aqui para ouvir os especiais.
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